quinta-feira, junho 4, 2026

PIB fantasma e desemprego em massa, relatório fictício sobre IA da Citrini Research que viralizou e derrubou ações de tecnologia

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Relato escrito como se fosse 30 de junho de 2028 mostra uma espiral em que ganhos de produtividade com IA não se traduzem em consumo, gerando um tal de PIB fantasma e choque nos mercados

Na segunda-feira, bolsas reagiram com forte queda após a circulação de um texto que imaginou um futuro de desemprego em massa provocado pela inteligência artificial.

O post, assinado pela Citrini Research, foi lido como um alerta ou um exercício mental que virou gatilho em um mercado sensível a riscos ligados à tecnologia.

As informações sobre a repercussão e os trechos do relatório foram apuradas, conforme informação divulgada pelo g1

O que diz o texto que viralizou

O documento publicado pela Citrini Research, canal criado pelo investidor James van Gleek, é apresentado como um exercício hipotético e começa com a frase, "O único objetivo deste texto é modelar um cenário que tem sido relativamente pouco explorado".

Escrito como um relatório do dia 30 de junho de 2028, o texto projeta um mundo com desemprego de 10,2% e queda de quase 40% no índice S&P, resultado de uma adoção acelerada de agentes de IA que substituiriam profissionais de colarinho branco.

Segundo o relatório, a IA elevaria significativamente a produtividade, porque agentes não dormem, não tiram dias de folga por doença e não precisam de plano de saúde, mas isso teria como efeito a queda dos salários reais e a criação de um PIB fantasma, ou seja, produção que aparece nas contas nacionais, mas que não circula pela economia real.

Exemplos e mecanismos descritos

Os autores ficticiamente relatam avanços em 'agentic coding', com agentes autônomos escrevendo e testando código com intervenção humana mínima, e descrevem efeitos encadeados: menos empregados, menos consumo, menos demanda por licenças de software e mais investimento em automação, alimentando um ciclo.

O texto nomeia setores que seriam afetados, como software, imobiliário, serviços financeiros, e pagamentos, e dá exemplos concretos, como a queda de comissões no mercado imobiliário e a migração para alternativas de pagamento mais baratas, como stablecoins.

Na narrativa, até plataformas de delivery e motoristas são impactados primeiro por aplicativos que repassam maior parcela da receita, e depois por veículos autônomos, reduzindo ainda mais a massa salarial.

Reações de mercado e de analistas

Na segunda-feira, ações de empresas de software como Datadog, CrowdStrike e Zscaler caíram mais de 9% cada, enquanto a IBM registrou queda de 13%, seu pior dia desde 2000, segundo a apuração.

Setores financeiros também foram afetados, com American Express recuando cerca de 7%, e bancos como JPMorgan, Citigroup e Morgan Stanley caindo mais de 4%, além de quedas superiores a 4% em Mastercard e Visa.

Colunistas e veículos internacionais questionaram a conclusão do texto e apontaram outras razões para a volatilidade. O Financial Times, por Robert Armstrong, escreveu que "a explicação mais comum para a renovada apreensão foi uma postagem no blog da Citrini Research" e que o episódio mostra quão sensível o mercado estava a mensagens, o que, segundo o jornal, contribuiu para uma queda de 800 pontos no Dow Jones envolvendo um argumento hipotético de 7 mil palavras.

Na revista Fortune, o editor Nick Lichtenberg advertiu que o relatório pode estar ignorando a adaptabilidade humana e a resposta institucional, e que a IA poderia democratizar o acesso à abundância e realocar valor em vez de destruí-lo.

Autoridades do mercado também minimizaram temores, o CEO do JPMorgan Chase afirmou, "Na minha opinião, sairemos vencedores", e disse que o banco usará a tecnologia a seu favor.

O que muda para trabalhadores, empresas e políticas públicas

No cenário descrito pela Citrini Research, muitos dos empregos criados pela tecnologia não seriam suficientes para absorver as perdas, e os novos postos teriam salários menores, como no exemplo fictício de uma gerente de produto que saiu de US$ 180 mil para cerca de US$ 45 mil ao mudar para trabalho por aplicativo.

Isso levaria a uma queda da massa salarial, aumento de inadimplência em empréstimos imobiliários e pressão sobre as contas públicas, porque governos teriam de transferir mais recursos para famílias no momento em que arrecadam menos.

Especialistas citados no debate lembram que a história das inovações mostra realocação de valor, e que políticas públicas e estratégias empresariais podem suavizar transições, por meio de educação, regulação e medidas de renda, caso desejem mitigar riscos reais.

O texto da Citrini Research termina reconhecendo que "temos certeza de que alguns desses cenários não se concretizarão" e que ainda há tempo para investidores e sociedade avaliarem quanto dos portfólios e das instituições dependem de premissas que podem não resistir à década.

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