Crescimento de 33,6% no volume, novos mecanismos de segurança e projetos como cobrança híbrida e PIX internacional mudam pagamentos e ampliam competição
O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, o PIX, registrou números recordes em 2025 e mantém papel central na transformação dos pagamentos no Brasil.
Além de ampliar o uso entre a população adulta, o PIX segue ganhando funções úteis para empresas e consumidores, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios de segurança.
Nas próximas seções você verá os dados, as medidas para reduzir fraudes e as novidades em estudo para os próximos anos.
conforme informação divulgada pelo g1
Recorde de volume e uso, e o impacto nas transações
O Banco Central registrou R$ 35,36 trilhões em transferências via PIX em 2025. Esse foi um recorde anual, com crescimento de 33,6% em relação a 2024.
Em quantidade de operações, o PIX também superou o ano anterior, com 79,8 bilhões de transações em 2025, ante 63,5 bilhões registradas em 2024.
O salto levou o diretor do BC, Renato Gomes, a afirmar que, em novembro de 2025, o país estava próximo de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta, “É essencialmente quase todo adulto no país“, disse ele na ocasião.
Novas funcionalidades e como elas mudaram o mercado
Em cinco anos, o PIX evoluiu para atender empresas, consumidores e estabelecimentos, com funções que substituem ou modernizam instrumentos tradicionais.
Entre as inovações já implementadas estão o PIX Cobrança, que age como boleto eletrônico com conciliação automática, o PIX Saque e o PIX Troco, que transformaram comércios em pontos de saque, e o PIX Agendado, útil para pagamentos periódicos.
Também surgiram o PIX por Aproximação, o PIX Automático para pagamentos recorrentes e a integração com o Open Finance, facilitando pagamentos iniciados por diferentes plataformas e dispositivos.
Golpes, fraudes e as novas regras de segurança
O avanço do PIX trouxe necessidade de controles mais rigorosos. Em 2024, o Banco Central registrou R$ 6,5 bilhões em perdas por fraudes via PIX, aumento de 80% em relação ao ano anterior.
Em 2025, o país também enfrentou o maior ataque hacker já registrado, que desviou R$ 800 milhões de bancos e empresas ligadas ao sistema PIX.
Para reduzir riscos, o BC implementou medidas como a coincidência cadastral, reforço no manual de penalidades e exigências mais rigorosas para intermediários tecnológicos, “O manual de penalidades também foi reforçado, tornando mais severas as sanções para instituições que não seguem as regras de segurança“, afirmou Renato Gomes.
Outra mudança recente obriga bancos a seguir regras para viabilizar a restituição de recursos em casos de fraude e falha operacional, o que facilita devoluções quando o dinheiro não é sacado imediatamente pelos golpistas.
Novidades em estudo e o cronograma de expansão
O Banco Central prevê várias novidades para o PIX nos próximos anos, com objetivo de ampliar usos e integrar o sistema a novas funções econômicas.
Entre medidas previstas para 2025 está a obrigatoriedade da Cobrança Híbrida via QR Code a partir de novembro, e funcionalidades como a Duplicata para pagamento de títulos escriturais via PIX.
O BC também trabalha para adaptar o PIX ao split tributário, de modo a permitir que tributos sobre consumo sejam pagos em tempo real junto à compra eletrônica, com cronograma ligado à reforma tributária.
Para 2027, dependendo de recursos, estão previstos o PIX internacional, para pagamentos transfronteiriços permanentes, o PIX em garantia para permitir crédito com recebíveis futuros como garantia, e o PIX por aproximação offline, que funcionaria sem conexão do dispositivo.
Ao mesmo tempo, o BC discute regras para o PIX Parcelado, que visa padronizar uma alternativa ao cartão de crédito para cerca de 60 milhões de pessoas sem acesso a ele, fomentando competição e redução de juros.
Impacto social e perspectivas, inclusão e o futuro dos pagamentos
O PIX não apenas modernizou pagamentos, ele contribuiu para a bancarização e mudança de comportamento dos usuários.
Segundo Renato Gomes, “Muita gente não usava as contas que tinha. Ou apenas recebia o salário, sacava tudo e só utilizava dinheiro. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de se pagar as contas pelo celular e mudaram esse comportamento, passando, de fato, a usar suas contas“, afirmou o diretor do BC, em novembro do ano passado.
Com volumes crescentes e avanços na segurança e em funcionalidades, o PIX deve continuar a expandir serviços, reduzir custos e aumentar a competição entre instituições, ao mesmo tempo em que o Banco Central enfrenta o desafio de equilibrar inovação com proteção ao usuário.