Plano de capital do BRB apresentado ao Banco Central após crise com Master, governo do DF avalia aporte, fundos e medidas preventivas para recompor patrimônio
Presidente do BRB entregou plano de capital ao BC, documento prevê ações preventivas em 180 dias e condiciona valores à conclusão de investigações em curso
O Banco de Brasília apresentou ao Banco Central um plano de capital do BRB com medidas para reforçar o patrimônio da instituição, após uma crise provocada por operações com o Banco Master.
A entrega foi feita presencialmente pelo presidente Nelson Antônio de Souza em reunião de duas horas na sede do Banco Central, em Brasília, com participação do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias.
O documento descreve ações a serem ativadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro, e condiciona a definição de valores à conclusão das investigações em andamento, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o plano de capital do BRB foi montado
A medida visa preservar a solidez do banco e evitar perda de confiança no mercado, após o BRB ter incorporado carteiras ligadas ao Banco Master no fim de 2024 e em 2025.
Segundo relatos, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, e o Ministério Público aponta indícios de gestão fraudulenta nessas transferências.
Relatos e dados divulgados indicam ainda que cerca de R$ 12 bilhões foram para carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras, o que fragilizou o balanço do BRB.
O que o documento apresentado ao BC diz, em palavras do próprio banco
Em nota, o BRB afirmou, textualmente, “O BRB informa que entregou, na tarde de hoje, ao Banco Central, o Plano de Capital da instituição”, e que a reunião contou com a participação do Secretário de Economia do DF, Daniel Izaias.
O banco também destacou que o documento “apresenta um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro”.
O BRB reforçou ainda, na mesma nota, que “eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento”, e reafirmou compromisso com transparência e proteção de clientes e investidores.
Alternativas estudadas para recompor o patrimônio
O banco listou opções já avaliadas para fortalecer o capital institucional, incluindo a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário com imóveis do governo do Distrito Federal, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, e aporte direto dos controladores.
Como o governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, e detém 71,92% do capital do banco, qualquer aporte direto que afete o caixa público deve passar por aval político na Câmara Legislativa do DF.
Investigação do caso Master e impactos
O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, que detectou crise de liquidez, e houve tentativas do BRB de adquirir o Master ao longo de 2025, operação vetada pelo BC.
Na sequência das apurações, técnicos consultados afirmaram não haver risco imediato de falência do BRB, em parte porque o acionista controlador é o governo do DF, com capacidade para prover suporte ao banco.
No entanto, especialistas ressaltam que é necessário reforçar o capital para atender às regras de solidez do sistema bancário, e para restaurar a confiança de clientes, investidores e mercados.
Reportagens também trouxeram números e fatos controversos, como a menção de que o Banco Master “comprou R$ 6,7 milhões em créditos, não pagou e revendeu ao BRB por R$ 12,2 bilhões”, informação que ilustra a complexidade das inconsistências detectadas em ativos adquiridos.
O caso segue sob investigação pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, e o BRB informou que entregou relatórios de auditoria e que seguirá tomando medidas para preservar a integridade e a continuidade de suas atividades.