Plano de capital do BRB entregue ao Banco Central após crise com Master, BC estima aporte mínimo de R$ 5 bilhões e governo do DF avalia alternativas

Plano de capital do BRB apresenta medidas preventivas para recomposição em 180 dias, com foco em reduzir risco dos ativos e definir aportes somente após conclusão das investigações

O Banco de Brasília protocolou junto ao Banco Central um conjunto de medidas para reforçar o patrimônio, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro.

A entrega do documento foi feita pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em reunião de duas horas na sede do Banco Central, em Brasília, e contou com a participação do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias.

O BRB destaca que eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o plano foi montado

O plano surge depois de uma sequência de operações envolvendo o Banco Master que fragilizaram o balanço do BRB, ao elevar o risco dos ativos adquiridos.

Desde o fim de 2024, o BRB gastou bilhões para adquirir carteiras de créditos do Banco Master, e depois houve apuração de inconsistências, incluindo operações em que créditos foram comprados por valores muito menores do que os repassados ao BRB.

Segundo as investigações, cerca de R$ 12 bilhões foram para carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras, e o Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central.

O que o documento entregue ao BC diz e qual a estimativa de aporte

O BRB informou que o Plano de Capital “apresenta um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro”.

O banco reafirmou o compromisso com “a transparência, com a proteção de clientes, investidores e parceiros, e com a adoção de todas as medidas necessárias para preservar a integridade e a continuidade de suas atividades.”

Por sua vez, o Banco Central estima que o aporte será de pelo menos R$ 5 bilhões, considerando a situação atual do banco.

Quem participa e que alternativas estão sendo avaliadas

O governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, participou da reunião e reforçou o compromisso com as medidas apresentadas. O governo do DF é o acionista controlador do BRB e detém cerca de 72% do capital da instituição.

No fim de janeiro, o BRB listou opções que podem compor a recomposição patrimonial, como a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário com imóveis do governo do DF, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos e aporte direto dos controladores.

Medidas que afetem o caixa do governo do DF devem exigir aval político da Câmara Legislativa do DF, onde o governador Ibaneis Rocha tem ampla maioria, e o governo já sinalizou, em entrevistas, disposição para usar patrimônio público em operações como um fundo imobiliário.

Impactos, investigações e próximos passos

O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, segundo apuração, e técnicos consultados indicam que não há risco de falência imediato, porque o acionista controlador é o governo do Distrito Federal.

Entretanto, o cenário exige reforço de capital para cumprir regras de solidez do sistema bancário e recuperar a confiança do mercado. O BRB informou que “eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento”.

Nos próximos meses, o BC, o BRB e as autoridades responsáveis vão acompanhar as investigações sobre as operações com o Master, e o plano deve ser implementado em até 180 dias se a necessidade de aporte for confirmada.