Documento apresenta ações preventivas para recomposição de capital em 180 dias, com alternativas como FII, empréstimo do FGC e aporte direto dos controladores do BRB
O Banco de Brasília, BRB, entregou ao Banco Central um plano para reforçar o patrimônio caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro.
O documento traz um conjunto de medidas a serem implementadas nos próximos 180 dias, e o banco afirma que eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento.
As informações foram divulgadas pelo BRB e tratadas em reunião na sede do Banco Central, conforme informação divulgada pelo g1
Entrega e contexto do encontro
Conforme informação divulgada pelo g1, o documento foi entregue presencialmente pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em uma reunião de duas horas na sede do Banco Central, em Brasília. O secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, também participou do encontro.
Em nota, o banco destacou, texto literal do comunicado, “O BRB informa que entregou, na tarde de hoje, ao Banco Central, o Plano de Capital da instituição.”
O que está previsto no plano
O plano, segundo o BRB, “apresenta um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro.” Entre as alternativas listadas pelo banco estão, texto do documento, a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, e aporte direto dos controladores.
O comunicado traz a lista das opções de forma clara, citando, exatamente, a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do governo do Distrito Federal, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e aporte direto dos controladores.
Por que o plano foi montado
A necessidade do plano decorre da compra de carteiras pelo BRB ligadas ao Banco Master, operação que enfraqueceu o balanço patrimonial do banco público. O g1 relata que essas aquisições envolveram valores altos em ativos do Master, e que foram identificadas inconsistências nas transações.
Segundo a apuração, “o Banco Central, no entanto, estima que o aporte será de pelo menos R$ 5 bilhões, considerando a situação atual do banco.” Técnicos consultados pelo g1 também afirmaram que não há risco de falência do BRB, em parte porque o acionista controlador é o governo do Distrito Federal.
O caso Master inclui informações preocupantes registradas pela reportagem, como o apontamento de que o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, e que, segundo as investigações, cerca de R$ 12 bilhões foram para carteiras de crédito podres.
Impactos e próximos passos
O BRB afirma que “Elaborado para garantir a sustentabilidade da instituição, o plano fortalece o capital institucional e assegura a estabilidade das operações.” O banco reafirma compromisso com transparência e com a proteção de clientes, investidores e parceiros.
Medidas que afetem o caixa do governo do DF, acionista majoritário do BRB, devem exigir ainda o aval político da Câmara Legislativa do DF, conforme indicado pelo próprio material do banco, e pelo contexto divulgado pela imprensa.
Investigações em curso pela Polícia Federal e pelo Ministério Público ainda podem alterar a dimensão do aporte necessário, razão pela qual o BRB mantém que valores definitivos só serão divulgados após a conclusão dos procedimentos investigatórios.