Por que 51% dos criadores de conteúdo cogitaram abandonar a carreira, entenda exaustão, baixa remuneração e pressão por estar sempre online, e o que muda até 2026
Estudo ManyChat mostra que metade dos criadores já pensou em desistir entre exaustão, estigma profissional e ganhos baixos, e identifica IA e saturação como principais preocupações
Criadores de conteúdo e influenciadores relatam desgaste que vai muito além do aspecto público das redes sociais, com rotina intensa e pouca previsibilidade.
Por trás de vídeos curtos e publicações há planejamento, gravação, edição e gestão de audiência, tarefas que se acumulam e nem sempre são reconhecidas como trabalho.
Os dados e depoimentos que seguem detalham esse panorama, conforme informação divulgada pelo g1.
O que a pesquisa revela
51% dos criadores consideraram abandonar a carreira nos últimos 12 meses. O número chama atenção porque não reflete falta de público, mas o desgaste causado por uma rotina exaustiva e, em muitos casos, mal remunerada.
ManyChat entrevistou 2.028 pessoas em nível global, sendo 1 mil criadores autodeclarados e 1.028 consumidores diários de redes sociais.
Por que pensam em desistir
Entre os criadores que pensaram em abandonar a carreira, os motivos apontam para uma combinação de desgaste emocional e frustração profissional, com queixas sobre crescimento, remuneração e esgotamento criativo.
25% disseram que não estavam crescendo23% afirmaram que não ganhavam dinheiro suficiente17% relataram perda de motivação ou interesse16% disseram que a rotina era demorada demais11% apontaram esgotamento criativo
O levantamento também mostra que, embora a economia dos criadores cresça, o estigma persiste. Cerca de 31% dos criadores afirmam que as pessoas ainda não veem a criação de conteúdo como um trabalho de verdade.
Questionados sobre o que mais incomoda na percepção externa, 26% dizem que as pessoas acham que é fácil, 19% que não leva tanto tempo, e 12% ainda ouvem que “criadores são ricos”.
Renda, rotina e reconhecimento
A falta de estrutura profissional reflete diretamente na renda e na forma como muitos tratam a atividade, muitas vezes como trabalho paralelo, sem processos claros.
quase três em cada quatro criadores ganham menos de US$ 10 mil por ano (o equivalente a R$ 53 mil) com conteúdo. Apenas um em cada 10 ultrapassa os US$ 30 mil anuais.
O relatório mostra que pagamentos das plataformas correspondem a 39% dos ganhos, enquanto parcerias e patrocínios somam 28%, e outras fontes, como afiliados e cursos, representam fatias menores.
Além disso, os criadores relatam dedicar quase 20 horas por semana apenas a planejamento, gravação e edição, sem contar tarefas administrativas e negociações.
Responder comentários e mensagens consome de 2 a 3 horas por semana, dependendo da audiência, e para 5% dos criadores, a gestão da caixa de entrada já equivale a um trabalho em tempo integral.
Enquanto 83% dos usuários dizem não esperar respostas de criadores, muitos profissionais assumem essa carga por temor de perder engajamento e oportunidades.
IA, competição e o futuro da profissão
Ao pensar em 2026, a principal preocupação dos entrevistados é a competição com conteúdo gerado por inteligência artificial, seguida da dificuldade de se destacar em feeds saturados e de construir comunidades autênticas.
Ao mesmo tempo, muitos criadores planejam usar IA para ideias, legendas e edição, apesar de resistência do público, já que 41% dizem que não apoiariam um criador que se tornasse 100% IA.
O cenário descrito pelo estudo mostra uma carreira marcada por paradoxos, em que a presença online é condição de sobrevivência profissional, e ao mesmo tempo fonte de exaustão e insegurança para influenciadores e criadores de conteúdo.