Estudo da ManyChat aponta que 51% dos criadores de conteúdo pensaram em desistir no último ano, por combinação de sobrecarga, baixa renda, expectativa de disponibilidade e concorrência com IA
Criadores de conteúdo relatam que a promessa de autonomia foi substituída por exaustão e cobrança constante.
Por trás de vídeos curtos e posts que duram segundos, existe uma rotina que se aproxima da carga de empregos tradicionais, sem o mesmo reconhecimento ou estabilidade.
Os dados mostram que, nos últimos 12 meses, 51% dos criadores consideraram abandonar a carreira, conforme informação divulgada pelo g1
A rotina invisível por trás dos posts
O trabalho de criadores de conteúdo começa muito antes da publicação, com planejamento, gravação e edição que consomem quase 20 horas por semana.
Responder comentários e mensagens diretas leva de 2 a 3 horas por semana, e para 5% dos criadores a gestão da caixa de entrada já equivale a um trabalho em tempo integral.
Embora 83% dos usuários digam não esperar respostas dos influenciadores, muitos profissionais assumem essa sobrecarga por medo de perder engajamento e oportunidades.
O relatório também revela uma visão fragmentada sobre identidade profissional, apenas 14% se consideram um negócio, 36% se veem como uma marca, e 50% dizem ser apenas uma pessoa que posta conteúdo.
Sobre a percepção externa, 31% afirmam que as pessoas ainda não veem a criação de conteúdo como um trabalho de verdade, e muitos enfrentam o mito de que tudo é fácil, rápido ou que todos são ricos.
Como ressalta Monty Lans no relatório, “Ser um criador de conteúdo é muito mais do que gravar um vídeo ou tirar uma foto para postar nas redes sociais. É necessário desenvolver habilidades técnicas e, acima de tudo, ter um desejo genuíno de servir e impactar positivamente um público específico”.
Remuneração, fontes de renda e insegurança financeira
A falta de estrutura profissional reflete na renda, com quase três em cada quatro criadores ganhando menos de US$ 10 mil por ano (o equivalente a R$ 53 mil) com conteúdo.
Apenas um em cada 10 ultrapassa os US$ 30 mil anuais, e as plataformas respondem por 39% dos ganhos, seguidas por parcerias com marcas e patrocínios com 28%.
Outras fontes, como marketing de afiliados, produtos físicos, assinaturas e cursos digitais aparecem com participação bem menor, o que reforça a ideia de que para muitos o conteúdo funciona apenas como trabalho paralelo.
Por que tantos pensaram em desistir
Entre os criadores que cogitaram abandonar a carreira, os motivos concentram desgaste emocional e frustração profissional, com porcentagens claras:
25% disseram que não estavam crescendo, 23% afirmaram que não ganhavam dinheiro suficiente, 17% relataram perda de motivação ou interesse, 16% disseram que a rotina era demorada demais, e 11% apontaram esgotamento criativo.
A situação é ainda mais grave entre a Geração Z, com 55% dos criadores dessa faixa etária tendo cogitado parar no último ano, mostrando que a promessa de liberdade muitas vezes vira sensação contínua de cobrança.
IA, competição e perspectivas para 2026
Olhar para o futuro deixa os criadores apreensivos, a competição com conteúdo gerado por inteligência artificial aparece como a principal preocupação para 2026.
Ao mesmo tempo, a maioria já planeja usar IA para brainstorming, escrever legendas, pesquisa e edição, mas o público demonstra resistência, 41% dizem que não apoiariam um criador que se tornasse 100% IA.
Além disso, os criadores apontam dificuldade para se destacar em feeds saturados, construir comunidades autênticas e garantir parcerias com marcas, fatores que podem agravar a sensação de estagnação.
Metodologia do estudo, a pesquisa da ManyChat entrevistou 2.028 pessoas em nível global, sendo 1 mil criadores autodeclarados e 1.028 consumidores diários de redes sociais, com nível de confiança de 95% e margem de erro de cerca de 2%, com base em respostas autodeclaradas.