Por que dólar atingiu maior baixa em quatro anos, o que explica a queda e por que analistas dizem que o dólar pode cair ainda mais em 2026
Entenda por que o dólar atingiu maior baixa em quatro anos, como tarifas, tensões comerciais e expectativa de juros pressionam a moeda, e o que isso significa para 2026
Nas últimas semanas, a cotação do dólar recuou a níveis não vistos desde 2022, mexendo com mercados e debates sobre política econômica. A queda acelerou após anúncios e tensões comerciais que mudaram expectativas de investidores.
A desvalorização fez com que o dólar apresentasse perdas fortes contra o euro e a libra, e provocou apostas de que a moeda pode cair ainda mais ao longo de 2026. Movimentos em títulos e intervenções potenciais também aumentaram a volatilidade.
As explicações para o movimento incluem decisões políticas nos Estados Unidos, mudanças nas perspectivas de juros e fluxos de investimento globais, conforme informação divulgada pelo g1.
O que aconteceu com o dólar
O dólar vinha se enfraquecendo depois de uma década de alta, com ganhos marcantes entre 2020 e 2022. No ano passado, o índice do dólar, que acompanha seu valor frente a uma cesta de moedas, “caiu em quase 10%”, sendo o pior desempenho desde 2017.
Mais recentemente, a moeda “caiu para o seu ponto mais baixo dos últimos quatro anos em relação a uma cesta de moedas” e sofreu quedas adicionais contra o euro e a libra, chegando a “cair 3% em cerca de uma semana”.
Quais fatores explicam a queda
Analistas apontam vários motivos. Parte da perda reflete reações dos mercados às políticas do governo americano, que foram descritas como irregulares por especialistas. Robin Brooks, do Instituto Brookings, disse que o declínio do dólar “é basicamente um reflexo dos mercados, dizendo que estas idas e vindas caóticas prejudicam os Estados Unidos, mais do que qualquer outra coisa”.
Tensões comerciais recentes, incluindo desacordos em torno da Groenlândia, e anúncios de tarifas, também aceleraram a saída de capital. Movimentos no mercado japonês de títulos e expectativas sobre intervenções cambiais, reais ou imaginadas, pressionaram ainda mais a cotação.
Impactos para consumidores e empresas
Um dólar mais fraco reduz o poder de compra dos americanos, especialmente para quem viaja ou compra importados. Analistas alertam que, se a tendência persistir, há risco de aumento da inflação interna, com elevação dos preços de bens importados nos Estados Unidos.
Por outro lado, governos e empresas que dependem de exportações americanas podem ver ganhos de competitividade. A Casa Branca já demonstrou apoio a um “dólar mais fraco”, por acreditar que isso favorece as exportações, e o presidente chegou a declarar que “não parece bom, mas você ganha muito mais dinheiro com um dólar mais fraco, do que com um dólar forte”.
Para onde pode ir a moeda e o que o mercado espera
O futuro do dólar dependerá de fatores como o desempenho econômico dos EUA e a trajetória de juros do Federal Reserve. A expectativa de cortes de taxa pode reduzir ainda mais a atratividade da moeda, levando investidores a buscar retornos no exterior.
Institutos e bancos projetam mais espaço para quedas adicionais. O grupo ING, por exemplo, acredita que o dólar pode cair “mais 4% a 5% este ano”, à medida que crescem perspectivas de recuperação e de maiores retornos fora dos Estados Unidos.
Enquanto isso, saídas de capitais ajudaram ativos alternativos, como o ouro, que teve forte valorização em 2025, e moedas europeias e de alguns mercados emergentes também se valorizaram frente ao dólar.
Em suma, a queda recente do dólar combina reavaliações de risco político, mudanças nas expectativas de juros e movimentos globais de investimento, e pode continuar, conforme ajustes nas políticas e nos fluxos financeiros internacionais.