quinta-feira, junho 4, 2026

Por que metade dos influenciadores já cogitou abandonar a carreira: estudo ManyChat aponta exaustão, baixa remuneração, estigma e medo da IA entre criadores de conteúdo

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O impacto da rotina intensa, da remuneração instável e da pressão por presença constante que leva 51% dos criadores a considerar deixar a profissão

A produção de conteúdo nas redes nem sempre corresponde à imagem de liberdade e renda fácil que circula nas timelines, e muitos influenciadores enfrentam desgaste físico e emocional.

Além da exaustão, a falta de reconhecimento e a remuneração baixa tornam a carreira incerta, e a tecnologia, incluindo a inteligência artificial, intensifica dúvidas sobre o futuro profissional.

Conforme informação divulgada pelo g1, a pesquisa global da ManyChat mostra que 51% dos criadores consideraram abandonar a carreira nos últimos 12 meses.

O que o estudo mostra, em números e palavras

O dado central é direto, “51% dos criadores consideraram abandonar a carreira nos últimos 12 meses”, segundo o relatório. O resultado surpreende menos pela falta de público e mais pelo desgaste que a rotina impõe.

O relatório também revela que cerca de 31% dos criadores afirmam que as pessoas ainda não veem a criação de conteúdo como um trabalho de verdade. Quando perguntados sobre a parte mais incompreendida da profissão, “Para 26%, as pessoas acham que é fácil. Para 19%, acreditam que não toma tanto tempo. Já 12% ainda ouvem que ‘criadores são ricos'”, indica a pesquisa.

O estudo destaca ainda dados sobre carga de trabalho e comunicação: os criadores usam quase 20 horas por semana apenas com planejamento, gravação e edição de conteúdo, responder comentários e mensagens diretas consome de 2 a 3 horas por semana, e para 5% dos criadores, a gestão da caixa de entrada já equivale a um trabalho em tempo integral.

Remuneração, identidade profissional e consequências

A falta de estrutura profissional impacta a renda. Quase três em cada quatro criadores ganham menos de US$ 10 mil por ano com conteúdo, enquanto apenas um em cada 10 ultrapassa os US$ 30 mil anuais. As plataformas são a principal fonte, representando 39% dos ganhos, seguidas por parcerias e patrocínios, com 28%.

Mesmo com trabalho intenso, poucos se veem como empresa, apenas 14% se consideram um negócio, 36% se enxergam como marca, e 50% dizem ser apenas uma pessoa que posta conteúdo. Esse contraste ajuda a explicar por que muitos tratam a atividade como trabalho paralelo, e por que estratégias e limites costumam fazer falta.

Por que pensaram em desistir

Entre os criadores que pensaram em abandonar a carreira, os motivos apontam para uma combinação de desgaste emocional e frustração profissional: 25% disseram que não estavam crescendo23% afirmaram que não ganhavam dinheiro suficiente17% relataram perda de motivação ou interesse16% disseram que a rotina era demorada demais11% apontaram esgotamento criativo.

A Geração Z aparece mais vulnerável, com 55% dos criadores dessa faixa etária cogitando parar no último ano, o que reforça o caráter geracional do esgotamento, ligado a expectativas de autonomia que se chocam com cobrança constante.

IA, competição e o futuro da profissão

O relatório aponta preocupações para 2026, com a competição com conteúdo gerado por inteligência artificial como principal medo dos criadores. Ao mesmo tempo, muitos já planejam usar IA para brainstorm, legendas e edição, embora o público demonstre resistência: 41% dizem que não apoiariam um criador que se tornasse 100% IA.

No relatório, Monty Lans é citado ao lembrar que, “Ser um criador de conteúdo é muito mais do que gravar um vídeo ou tirar uma foto para postar nas redes sociais. É necessário desenvolver habilidades técnicas e, acima de tudo, ter um desejo genuíno de servir e impactar positivamente um público específico”, mostrando que a profissão exige técnica, estratégia e intenção.

Para explorar a relação entre criadores de conteúdo e suas audiências, a ManyChat entrevistou 2.028 pessoas em nível global, sendo 1 mil criadores autodeclarados e 1.028 consumidores diários de redes sociais. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de cerca de 2%, com base em respostas autodeclaradas.

O balanço é claro, criar conteúdo pode ser rentável e gratificante, mas, sem profissionalização, planejamento e limites de trabalho, a carreira tende a ser instável, exaustiva e sujeita a desistências.

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