quinta-feira, junho 4, 2026

Por que México foi maior beneficiado pelas tarifas de Trump, como o T-MEC abriu vantagem e o teste decisivo de renegociação que pode mudar tudo

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México tarifas Trump, isenção do T-MEC e crescimento de 5,66% nas exportações para os EUA, frente a tarifas médias globais de 10,91%, e o risco na renegociação do acordo

O México se destacou como um dos grandes beneficiados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a partir de abril de 2025, ao conseguir ampliar sua presença nas importações americanas.

Essa vantagem surge, principalmente, porque muitos produtos mexicanos ficaram protegidos pela isenção concedida aos bens que cumprem as regras do T-MEC, o tratado de livre comércio da América do Norte.

O resultado foi um aumento de quase 5,66% nas exportações mexicanas para os Estados Unidos em 2025, mostrando uma rápida adaptação de empresas e investidores ao novo cenário tarifário, conforme informação divulgada pelo g1.

Como a exceção do T-MEC funcionou a favor do México

Quando o presidente Donald Trump anunciou, no dia 2 de abril de 2025, a nova política tarifária chamada de “Dia da Libertação”, a lista de países afetados deixou de fora o México e o Canadá em larga escala.

A principal razão para isso foi a exceção dada a produtos que atendem às exigências do T-MEC, segundo Erica York, analista do Centro de Política Federal de Impostos do Tax Foundation, citada pela reportagem.

Com a medida, exportadores mexicanos que antes optavam por pagar tarifas baixas para evitar trâmites passaram a procurar certificação no âmbito do T-MEC, porque ficou mais vantajoso escapar das novas taxas.

Números que explicam a vantagem mexicana

O Modelo de Orçamento Penn Wharton, PWBM, estimou que os produtos mexicanos enfrentaram uma tarifa de importação efetiva de 4,6% em outubro de 2025, contra uma tarifa média global efetiva de 10,91% no mesmo mês.

Para comparação, o Canadá apresentou uma tarifa efetiva de 3,9%, enquanto a China viu suas exportações para os EUA serem alvo de uma tarifa efetiva de 37,1% em 2025, segundo o PWBM.

Enquanto isso, dados oficiais mexicanos indicaram seis meses consecutivos de crescimento das exportações para os EUA após o anúncio de abril, contribuindo para o ganho de participação do México no comércio americano.

Setores que ganharam e os que sofreram

A vantagem nem foi uniforme entre os setores, porque apenas produtos que atendem às regras de origem do T-MEC escaparam das tarifas mais altas.

O setor automotivo mexicano cresceu apenas 0,9% em 2025, um desempenho abaixo do esperado, apesar das negociações que limitaram as tarifas a componentes automotivos “não fabricados nos Estados Unidos”, ou seja, fora do T-MEC.

Em contraste, setores claramente integrados à cadeia do T-MEC conseguiram realocar produção e vendas para o mercado americano, especialmente à medida que estoques pré-contratados de fornecedores de outras regiões se esgotaram.

Produtos sujeitos a tarifas altas, como aço e alumínio taxados em 25%, registraram queda nas exportações para os EUA, mostrando que nem todos os segmentos se beneficiaram igualmente.

O teste decisivo: a renegociação do T-MEC e os riscos para o México

O principal desafio à frente é político e jurídico, porque o T-MEC tem renegociação marcada para 2026, em meio a declarações do próprio Trump de que, para ele, o acordo parece “irrelevante”.

A fala gerou incerteza, e a reação da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, foi afirmar estar “certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar”.

Especialistas, como o economista Mario Campa da Universidade Columbia, destacam que vários cenários são possíveis, desde a renovação integral do acordo até sua desintegração, com impactos distintos sobre setores e sobre a vantagem que o México conquistou em 2025.

Outro sinal de alerta é a aproximação comercial entre o Canadá e a China, liderada pelo primeiro-ministro canadense Mark Carney, que, segundo Campa, pode enfraquecer a narrativa de um bloco norte-americano coordenado contra importações asiáticas.

Diante da possibilidade de ruptura, Campa sugere que o México fortaleça planos alternativos, citando o “Plano México” anunciado pela presidente Sheinbaum no início de 2025, para diversificar mercados e reduzir dependência de um único parceiro.

O que esperar e como se preparar

Se a renegociação mantiver a proteção do T-MEC, o México pode consolidar a posição de principal fornecedor dos EUA, aproveitando proximidade geográfica, cadeia produtiva integrada e mão de obra qualificada.

Por outro lado, se o tratado for modificado de forma desfavorável, ou se os EUA optarem por políticas mais protecionistas, o país precisará acelerar estratégias de diversificação, investimentos em logística e incentivos à exportação fora da órbita americana.

O balanço final, por enquanto, é que o México foi um dos “ganhadores inesperados” das tarifas de Trump em 2025, mas a sustentabilidade dessa vantagem depende diretamente do desfecho da renegociação do T-MEC e das decisões políticas dos parceiros norte-americanos, conforme informação divulgada pelo g1.

Fontes: dados e declarações consultados, conforme informação divulgada pelo g1, incluindo levantamento do Modelo de Orçamento Penn Wharton, análises de Erica York do Tax Foundation, e comentários do economista Mario Campa, entre outros trechos citados na reportagem.

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