Por que México foi o maior beneficiado pelas tarifas de Trump, como o T-MEC impulsionou exportações e qual é o teste decisivo na renegociação
Tarifas de Trump elevaram exportações mexicanas aos EUA, com vantagem do T-MEC e tarifas efetivas menores, mas a renegociação do acordo será o grande desafio em 2026
O México ampliou suas exportações para os Estados Unidos em 2025, enquanto a política tarifária do governo de Donald Trump redesenha fluxos comerciais e prioridades industriais.
Empresas e investidores acreditaram que era mais competitivo produzir no México para driblar tarifas mais altas, e o T-MEC ganhou papel central nessa movimentação.
Os dados que explicam esse movimento e os riscos futuros foram compilados e analisados, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o México se beneficiou das tarifas de Trump
Uma decisão-chave foi a exclusão inicial do México da lista de países mais atingidos no chamado “Dia da Libertação”, quando o presidente americano anunciou novas tarifas de importação.
Além disso, o T-MEC passou a funcionar como uma proteção prática, porque produtos que atendem às regras do tratado ficaram menos expostos às novas tarifas.
Como destacou a analista Erica York, “Uma das maiores isenções às tarifas do ‘Dia da Libertação’ do presidente americano foi para os produtos que atendem às exigências do T-MEC”.
York acrescentou que “Observamos que as transações realizadas no âmbito do T-MEC dispararam em 2025, devido a essa isenção”. Essa mudança levou empresas a reorganizarem cadeias de produção e fornecedores.
Números e setores que ajudaram o México a subir
Os indicadores mostram que o México manteve ritmo de vendas aos EUA e registrou um aumento, segundo as estatísticas citadas pelo g1.
O país teve um “crescimento geral da ordem de 5,66% em suas exportações para os Estados Unidos” em 2025, e seus produtos apresentaram uma “tarifa de importação efetiva de 4,6%, em outubro de 2025”, segundo avaliação do Modelo de Orçamento Penn Wharton, da Universidade da Pensilvânia.
O Canadá, por sua vez, teve “tarifa de importação de 3,9%”, mas exportações canadenses caíram 6,19% em relação a 2024, de acordo com o Departamento de Comércio dos EUA.
Em contraste, a tarifa efetiva para produtos chineses “atingiu 37,1%” no ano passado. Para o resto do mundo, “a tarifa efetiva média de importação foi de 10,91% em outubro, segundo o PWBM, contra 2,2% registrados em janeiro de 2025”.
Nem todos os setores mexicanos cresceram na mesma intensidade. O setor automotivo teve aumento de apenas 0,9% em 2025, e segmentos como aço e alumínio, sujeitos a tarifas de 25%, registraram queda nas exportações para os EUA.
O papel do T-MEC e as decisões empresariais
Antes das novas tarifas, muitos exportadores preferiam pagar tarifas baixas e evitar os trâmites do T-MEC. Com as mudanças, tornou-se mais vantajoso cumprir as normas do tratado.
Em 2024, “cerca de 38% das importações americanas procedentes do Canadá e 49% das procedentes do México foram realizadas no âmbito do acordo”. Segundo York, nesses meses após as tarifas, esses percentuais subiram para “86% a 87% dos produtos”.
O especialista Mario Campa explica que “Quando você, como comprador nos Estados Unidos, seja consumidor ou empresa, começa a observar que as tarifas estão subindo por todos os lados, irá se dirigir ao país que conseguiu a menor alíquota”.
Campa também observou que, com a normalização dos estoques, “começaram a se destacar os produtos fabricados no México, que provavelmente está se tornando um parceiro comercial [americano] mais importante do que a China ou o Canadá”, e que, “Ou seja, o México está se consolidando no primeiro lugar entre as importações americanas”.
O teste decisivo: renegociação do T-MEC e cenários possíveis
A maior incerteza para o México é a renegociação do T-MEC prevista para este ano, em um momento em que o próprio presidente dos EUA questionou a relevância do acordo ao dizer que, para ele, o T-MEC parece “irrelevante”.
Essa postura elevou o risco de mudanças profundas no arranjo comercial que protegeu boa parte das exportações mexicanas em 2025.
Para Campa, as negociações podem resultar desde a renovação do acordo como está, até a desintegração do bloco, passando por cenários intermediários. Segundo ele, “Definitivamente, não é um bom sinal para a sobrevivência do T-MEC, embora eu insista que isso pode mudar. Faltam muitos meses, faltam negociações”.
Diante do risco mais adverso, especialistas recomendam que o México acelere planos para diversificar mercados e reduzir dependência dos EUA, como o chamado “Plano México” anunciado pela presidente Claudia Sheinbaum.
O país ganhou fôlego com as tarifas de Trump em 2025, por causa do T-MEC e da realocação industrial, mas a durabilidade dessa vantagem depende diretamente do resultado da renegociação e da capacidade do México de ampliar parcerias comerciais.