Explicamos as motivações da liquidação extrajudicial da CBSF, como a medida afeta fundos administrados pela Reag, e os próximos passos das investigações envolvendo o Banco Master
A decisão do Banco Central interrompeu imediatamente as atividades da CBSF, antiga Reag Trust DTVM, administradora de fundos ligada ao grupo Reag.
A medida foi tomada por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional, segundo o próprio BC, e atinge operações da instituição, não os fundos em si.
Nos parágrafos seguintes, detalhamos o que levou à liquidação, o alcance para cotistas e gestores, e as ligações com operações da Polícia Federal, conforme informação divulgada pelo g1
O que motivou a liquidação extrajudicial da CBSF
O Banco Central informou que a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários teve sua liquidação motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”.
Em comunicado oficial, o BC também afirmou que a empresa “se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial“, ou seja, é de pequeno porte e sujeita a regras mais simples que as dos grandes bancos.
O órgão destacou ainda que, na prática, problemas nessa classe de instituições não representam risco relevante para o sistema financeiro, porque a companhia “representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN“.
Impacto sobre fundos, cotistas e administração
Com a decisão, todas as operações da empresa foram encerradas de imediato. A medida atinge a instituição, mas não os fundos em si, que permanecem ativos, porém precisarão buscar novas instituições para assumir sua administração.
A CBSF, controlada pelo Grupo Reag, atuava sobretudo como administradora de mais de 80 fundos de investimento. Os cotistas desses fundos devem ser informados oficialmente sobre a transição administrativa e sobre eventuais riscos operacionais.
O BC ressaltou que seguirá com as apurações e que “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis“.
Relação com as operações da Polícia Federal e com o caso Master
A CBSF está entre as empresas incluídas nas investigações sobre um suposto esquema de fraude envolvendo o Banco Master, alvo da Operação Compliance Zero.
João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, foi alvo de mandados na segunda fase da operação, que investiga um esquema de captação, aplicação em fundos e desvio de recursos para patrimônio de controladores do Master.
O caso do Banco Master já havia levado o BC a decretar a liquidação extrajudicial da instituição, após identificação de emissão de CDBs com juros acima do mercado e negócios de alto risco. A investigação incluiu possível fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB, no valor de R$ 12,2 bilhões.
Em ações mais amplas, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, e medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, além da apreensão de carros e itens de luxo.
Esse conjunto de apurações se conecta também à Operação Carbono Oculto, que investigou fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Na operação, foram apontadas estruturas que utilizaram fintechs e fundos para ocultar recursos, com estimativas de prejuízo fiscal superiores a R$ 7,6 bilhões.
Segundo as investigações, ao menos 40 fundos, entre multimercado e imobiliários, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões teriam sido controlados direta ou indiretamente pela organização criminosa citada pela PF. Em outro ponto da apuração, a Receita identificou uma fintech com movimentação superior a R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024.
O que muda na prática e próximos passos
Fundos administrados pela CBSF continuam existindo, mas precisam contratar novos administradores. Gestores e cotistas devem acompanhar comunicados oficiais, assembleias e prazos para transferências de gestão e prestação de contas.
O Banco Central informou que continuará a tomar as medidas cabíveis para apurar responsabilidades, e que, pela lei, “os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa estão bloqueados“.
As apurações podem resultar em sanções administrativas, comunicações a autoridades competentes e medidas judiciais. Enquanto isso, investidores e participantes do mercado aguardam a definição dos próximos passos e as consequências para patrimônio e governança dos fundos afetados.
Leitura recomendada, acompanhe comunicados oficiais do Banco Central e das autoridades policiais para atualizações sobre a liquidação extrajudicial e sobre as investigações conectadas ao Banco Master.