Por que o dólar atingiu a maior baixa em 4 anos, caiu 3% em uma semana e pode cair mais, entenda causas, riscos à inflação e impactos para consumidores e mercados

Análise das quedas recentes do dólar, das incertezas sobre políticas comerciais e geopolíticas, das previsões de nova desvalorização e do que isso significa para preços, investimentos e inflação

Nas últimas semanas, a dólar registrou perdas que chamaram atenção de mercados globais e consumidores, com movimentos que afetaram moedas europeias e ativos de refúgio.

As oscilações reacenderam perguntas sobre se a queda é temporária ou o início de uma tendência mais ampla, e sobre quem ganha e perde com um dólar mais fraco.

Os dados e as declarações que embasam esta reportagem estão reunidos a seguir, conforme informação divulgada pelo g1.

O que aconteceu com o dólar

Segundo reportagem do g1, “O dólar caiu para o seu ponto mais baixo dos últimos quatro anos em relação a uma cesta de moedas.” Esse movimento veio acompanhado de perdas acentuadas frente ao euro e à libra.

O texto também registra que “E atingiu o nível mais baixo de muitos anos em comparação com o euro e a libra esterlina, caindo 3% em cerca de uma semana.” Esse recuo de 3% em poucos dias foi suficiente para provocar alerta entre investidores.

Depois dessas quedas, parte do movimento perdeu força, mas analistas consultados pela matéria apontam que a recuperação pode ser temporária, deixando em aberto a possibilidade de novas oscilações.

Por que o dólar está caindo

Analistas citados pelo g1 atribuem a queda a uma combinação de fatores, entre eles a reação dos mercados a políticas do governo dos Estados Unidos que geraram incerteza, tensões comerciais recentes e movimentos de investidores internacionais em busca de melhores retornos.

Como afirma Chris Turner, chefe global de pesquisa de mercados financeiros do grupo ING, “A maioria das pessoas acredita que o dólar deveria, poderá e irá se enfraquecer ainda mais este ano”.

Robin Brooks, do Instituto Brookings, resume parte da reação dos mercados sobre a política americana, “Na minha opinião, os mercados estão reagindo à natureza meio que irregular das políticas deste governo, as escaladas e atenuações”. Para muitos, essas incertezas pesam mais que fundamentos econômicos de curto prazo.

Impactos para consumidores e para os mercados

Um dólar mais fraco reduz o poder de compra dos americanos, elevando o custo de bens importados e viagens ao exterior, e pode, se mantido, pressionar a inflação interna dos Estados Unidos.

O g1 destaca ainda que “no ano passado, o índice do dólar, que acompanha seu valor em relação a uma cesta de moedas, caiu em quase 10%. Foi o pior desempenho desde 2017.” Essa volatilidade também levou investidores a buscar ativos alternativos, como o ouro, que subiu com força.

Há sinais de realocação de recursos, com moedas europeias e alguns ativos de mercados emergentes ganhando espaço, e com fundos internacionais reavaliando posições em títulos americanos.

Perspectivas e o papel da política

As expectativas sobre o futuro do dólar dependem da evolução da política monetária do Federal Reserve, e de eventuais atos do governo americano, que já demonstrou preferência por um câmbio mais fraco para favorecer exportações.

Sobre previsões, o g1 informa que “Ainda assim, o ING espera que o dólar caia mais 4% a 5% este ano, à medida que aumentam as perspectivas de crescimento fora dos Estados Unidos.” Se as taxas de juros caírem nos EUA, investidores podem buscar rendimentos maiores em outros mercados, pressionando o câmbio.

O próprio presidente dos EUA, citado na matéria, já disse que, apesar de não parecer positivo para todos, “Não parece bom, mas você ganha muito mais dinheiro com um dólar mais fraco… do que com um dólar forte”, mostrando que a queda pode ter apoiadores políticos.

Em resumo, a queda recente do dólar é fruto de fatores econômicos e políticos combinados, com efeitos imediatos sobre preços e investimentos, e com cenário futuro que depende tanto das decisões do Fed quanto de movimentos geopolíticos e comerciais.