Por que o dólar atingiu a maior baixa em 4 anos, como políticas de Trump e decisões do Fed pesam, e por que a moeda pode cair ainda mais em 2026
Entenda por que o dólar recuou aos menores níveis em quatro anos, quais fatores internos e externos influenciam a queda e por que analistas afirmam que o dólar pode cair ainda mais em 2026
O dólar norte-americano caiu para o seu ponto mais baixo em quatro anos em relação a uma cesta de moedas e registrou perdas fortes frente ao euro e à libra nas últimas semanas.
Movimentos recentes, somados a sinais sobre política monetária e comerciais, levaram analistas a prever que a moeda pode seguir enfraquecendo ao longo de 2026.
Os dados e declarações que sustentam essa análise foram reunidos e publicados por veículos de notícias e analistas, conforme informação divulgada pelo g1.
O que aconteceu com o dólar?
O indicador que acompanha o dólar frente a uma cesta de moedas caiu para o menor nível dos últimos quatro anos, e a moeda recuou cerca de 3% em cerca de uma semana diante do euro e da libra.
Em 2025, o índice do dólar teve uma queda acumulada próxima de 10%, registrada como o pior desempenho desde 2017, segundo dados citados por analistas do mercado.
Parte desse movimento se acelerou após anúncios de tarifas de importação no chamado “Dia da Libertação”, em 2 de abril de 2025, e mais recentemente com tensões entre Estados Unidos e Europa sobre a Groenlândia, eventos que abalaram a confiança dos investidores.
Por que o dólar está caindo?
Analistas apontam que a queda reflete, em boa parte, inquietação com as políticas do governo americano, incluindo medidas comerciais e sinais de interferência externa na condução de relações econômicas.
Robin Brooks, do Instituto Brookings, avaliou que «na minha opinião, os mercados estão reagindo à natureza meio que irregular das políticas deste governo, as escaladas e atenuações», e considerou que esse vaivém tem prejudicado a percepção sobre os Estados Unidos.
Chris Turner, chefe global de pesquisa de mercados financeiros do grupo ING, disse que «a maioria das pessoas acredita que o dólar deveria, poderá e irá se enfraquecer ainda mais este ano», o que mostra que o consenso é de direção, ainda que não haja acordo sobre o timing.
Além de fatores políticos, existem movimentos técnicos e financeiros que pressionaram a moeda, como aumento de oportunidades de investimento fora dos EUA, apostas sobre o iene japonês e vendas no mercado japonês de títulos que afetaram fluxos globais de capital.
Para onde está indo o dinheiro e quais são os efeitos?
Parte do dinheiro deixou o dólar e migrou para ativos considerados refúgio ou para outras moedas. A procura por ouro, por exemplo, ajudou a impulsionar o metal, cuja cotação dobrou no ano passado, de acordo com analistas citados.
O euro e a libra ganharam terreno em janeiro, e moedas de mercados emergentes também registraram valorização em vários casos, segundo monitoramentos citados por consultorias.
Se a tendência de baixa do dólar persistir, isso reduz o poder de compra dos americanos sobre bens importados e pode, no limite, alimentar inflação doméstica, com impacto nos preços ao consumidor nos EUA.
O que governos e bancos centrais podem fazer?
Especulações sobre ações coordenadas para influenciar a cotação, como vendas de dólares alinhadas entre países, chegaram a circular no mercado, e comentários de autoridades contribuíram para oscilações de curto prazo.
Nos EUA, a indicação do economista Kevin Warsh para substituir Jerome Powell no comando do Federal Reserve trouxe novas perguntas sobre a direção da política monetária. Se os juros nos EUA caírem, isso tende a pressionar ainda mais o dólar, pois investidores buscarão retornos maiores em outros mercados.
Do lado político, a administração Trump tem mostrado publicamente preferência por um dólar mais fraco para apoiar as exportações, e o próprio presidente declarou que «não parece bom, mas você ganha muito mais dinheiro com um dólar mais fraco… do que com um dólar forte», posição que pode influenciar expectativas.
Perspectivas e riscos
Alguns bancos e instituições projetam que o dólar ainda pode cair, com o ING estimando uma queda adicional de 4% a 5% neste ano, na medida em que o crescimento fora dos EUA melhora e as perspectivas locais mudam.
No entanto, analistas alertam que uma queda sustentada por motivos de perda de confiança nas políticas econômicas americanas seria um sinal sério sobre a saúde estrutural da economia e da posição do dólar no sistema financeiro global.
Em curto prazo, volatilidade e notícias sobre política, tanto doméstica quanto internacional, tendem a continuar determinando oscilação na moeda, e os impactos para consumidores e empresas dependerão da duração e das causas dessa queda.
Leitura rápida, o dólar sofreu uma correção importante após eventos políticos e mudanças nos fluxos de investimento, e embora haja consenso entre alguns analistas de que a moeda pode cair mais em 2026, o cenário segue marcado por incertezas e riscos que podem reverter ou acelerar essa tendência.