quinta-feira, junho 4, 2026

Por que o dólar atingiu a maior baixa em 4 anos, quais riscos isso traz para a inflação nos EUA e por que analistas dizem que o dólar pode cair ainda mais em 2026

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Queda em semanas, perdas frente ao euro e à libra, e sinais de que a moeda pode continuar fraca se fatores políticos e monetários se mantiverem

O dólar recuou até o ponto mais baixo em quatro anos frente a uma cesta de moedas, com perdas acentuadas também contra o euro e a libra, em movimentos que surpreenderam mercados que esperavam 2026 mais calmo.

Em cerca de uma semana, a moeda dos Estados Unidos chegou a cair 3% e, no ano anterior, o índice do dólar teve queda próxima a 10%, o pior desempenho desde 2017.

Analistas consultados apontam que a combinação de políticas erráticas, tensões comerciais e mudanças nas oportunidades de investimento no exterior explicam parte do movimento, e que a trajetória pode continuar no mesmo sentido. conforme informação divulgada pelo g1

O que aconteceu com o dólar

Desde ganhos fortes entre 2020 e 2022, o dólar vinha se valorizando, mas reverteu em 2025, com o índice caindo quase 10% no ano, o que foi classificado como o pior desempenho desde 2017. Mais recentemente, na terça-feira, 27/1, a moeda atingiu o seu ponto mais baixo dos últimos quatro anos em relação a uma cesta de moedas, e recuou 3% em cerca de uma semana em confrontos com o euro e a libra.

Boa parte do declínio ocorreu após o chamado “Dia da Libertação”, em 2 de abril de 2025, quando anúncios de tarifas de importação impulsionaram a queda do dólar. Depois, nas últimas semanas, episódios diplomáticos e comerciais em torno da Groenlândia e especulações sobre ações coordenadas para apoiar o iene ampliaram a volatilidade.

Por que o dólar está caindo

Riscos políticos e incerteza sobre a direção das políticas do governo americano estão no centro das explicações. Robin Brooks, do Instituto Brookings, afirmou, em reação citada na fonte, que, “Na minha opinião, os mercados estão reagindo à natureza meio que irregular das políticas deste governo, as escaladas e atenuações”.

Chris Turner, do ING, destacou a convicção de parte do mercado sobre a direção da moeda, com a frase citada: “A maioria das pessoas acredita que o dólar deveria, poderá e irá se enfraquecer ainda mais este ano”. Para Thierry Wizman, do Macquarie, a escalada de tensões recentes “Acho que isso desencorajou as pessoas”.

Impactos sobre consumidores, empresas e mercados

Um dólar mais fraco reduz o poder de compra dos americanos, especialmente para quem viaja ou consome produtos importados, e pode, se persistente, alimentar a inflação interna com elevação de preços de bens importados.

A saída de investidores do mercado do dólar também empurrou o preço do ouro para cima, com a cotação do metal que “dobrou no ano passado”, enquanto algumas moedas, como o euro e a libra, se valorizaram em janeiro. O ING espera que o dólar caia mais “4% a 5% este ano”, à medida que crescem as perspectivas de crescimento fora dos EUA.

O que vem pela frente e o papel das políticas

O futuro imediato do dólar depende do desempenho econômico dos Estados Unidos e da trajetória das taxas de juros pelo Federal Reserve. Se o Fed cortar juros, a moeda pode recuar ainda mais, com investidores buscando retornos maiores em outros países.

Do ponto de vista político, a Casa Branca já se manifestou favorável a um dólar mais fraco, por melhorar a competitividade das exportações americanas. O próprio presidente comentou sobre a vantagem de um câmbio mais baixo, com a declaração traduzida da fonte, “Não parece bom, mas você ganha muito mais dinheiro com um dólar mais fraco… do que com um dólar forte”.

A indicação do economista Kevin Warsh para comandar o Fed foi também destacada na cobertura, com a citação do presidente, “Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor. Ele é perfeito para o papel e nunca decepciona”. A nomeação precisa ainda ser confirmada pelo Senado, e se concretizada pode influenciar expectativas sobre juros e câmbio.

Em resumo, o dólar mostra enfraquecimento relevante, com causas que misturam política, decisões comerciais e realocações de investimento. Especialistas alertam que parte da queda pode ser temporária, mas também apontam que a moeda pode cair mais, com efeitos reais sobre preços e mercados.

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