Por que o México foi maior beneficiado pelas tarifas de Trump, como o T-MEC protegeu exportações para os EUA e o risco na renegociação de 2026
Como a isenção do T-MEC, o nearshoring e mudanças nas cadeias globais elevaram as exportações mexicanas aos EUA em 2025, e por que a revisão do acordo será o teste decisivo
O México ampliou suas vendas aos Estados Unidos no primeiro ano do novo mandato de Donald Trump, ao mesmo tempo em que boa parte do resto do mundo enfrentou tarifas mais altas.
Medidas que isentaram produtos sob o T-MEC, a proximidade geográfica e realocações industriais favoreceram empresas que já produziam no México.
Essas conclusões são baseadas em dados e análises citadas no texto, conforme informação divulgada pelo g1.
Proteção do T-MEC e mudança de estratégia
Uma das principais explicações para o avanço mexicano foi a isenção concedida pelo governo americano a produtos que atendem às regras do T-MEC.
Erica York, analista do Centro de Política Federal de Impostos do centro de estudos Tax Foundation, disse que “Uma das maiores isenções às tarifas do ‘Dia da Libertação’ do presidente americano foi para os produtos que atendem às exigências do T-MEC”.
Em 2024, “cerca de 38% das importações americanas procedentes do Canadá e 49% das procedentes do México foram realizadas no âmbito do acordo”, e “nos últimos meses, estes percentuais aumentaram para 86% a 87% dos produtos”, segundo York.
Essa mudança levou exportadores que antes pagavam tarifas baixas para evitar burocracia a optar pela certificação no âmbito do tratado, por ser mais vantajoso face ao novo regime tarifário.
Números e setores que mudaram o jogo
O Modelo de Orçamento Penn Wharton indicou que, em outubro de 2025, os produtos mexicanos pagaram uma tarifa de importação efetiva de 4,6%, enquanto o Canadá registrou 3,9%.
O mesmo modelo apontou que a tarifa efetiva para produtos chineses atingiu 37,1% no ano passado, e que a tarifa média para o restante do mundo foi de 10,91% em outubro, contra 2,2% em janeiro de 2025.
Na prática, os números mostram que o México foi menos afetado, e suas exportações para os EUA cresceram 5,66% em 2025, segundo dados oficiais mexicanos atualizados até novembro de 2025.
Por outro lado, as exportações canadenses para os EUA caíram 6,19% em relação a 2024, segundo o Departamento de Comércio americano.
A análise por setores é desigual, o setor automotivo mexicano teve aumento de apenas 0,9% em 2025, e produtos como aço e alumínio, sujeitos a tarifas de 25%, registraram queda nas vendas ao mercado americano.
O economista Mario Campa, da Universidade Columbia, explicou que “Quando você, como comprador nos Estados Unidos, seja consumidor ou empresa, começa a observar que as tarifas estão subindo por todos os lados, irá se dirigir ao país que conseguiu a menor alíquota”.
Campa acrescentou, “Ou seja, o México está se consolidando no primeiro lugar entre as importações americanas”.
O teste decisivo na renegociação do T-MEC
Apesar dos ganhos, o futuro é incerto, porque o tratado trilateral terá renegociação marcada para o ano, e o presidente Trump chegou a afirmar que o T-MEC “parece ‘irrelevante'” para ele.
A declaração gerou preocupação, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou estar “certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar”.
O cenário internacional também se complica com o novo movimento do Canadá, cujo primeiro-ministro Mark Carney assinou acordos com a China, o que, na visão de Campa, é um “mau sinal” para a sobrevivência do bloco norte-americano.
Campa descreve possíveis cenários que vão da renovação do acordo, a uma ruptura total, ou a combinações intermediárias, e recomenda que o México desenvolva planos alternativos para diversificar mercados, como o chamado “Plano México” anunciado pela presidente Sheinbaum em 2025.
Em resumo, as tarifas e o benefício temporário causado pela cobertura do T-MEC favoreceram o crescimento das exportações mexicanas em 2025, porém a verdadeira prova será a negociação do acordo, que pode consolidar esses ganhos ou reverter parte deles.