Por que o México foi o maior beneficiado pelas tarifas de Trump, como o T-MEC impulsionou exportações para os EUA e qual o teste decisivo na renegociação
Como as isenções do T-MEC e a política tarifária de Donald Trump ajudaram o México a crescer nas exportações para os Estados Unidos, e o risco na renegociação
O México viu suas exportações para os Estados Unidos crescerem após o anúncio das tarifas de Donald Trump, aproveitando a exceção aplicada a produtos que atendem ao T-MEC, o tratado entre México, Estados Unidos e Canadá.
Empresas transferiram cadeias de produção e passaram a usar regras do T-MEC para evitar tarifas mais altas, o que aumentou a competitividade mexicana no mercado americano.
Os dados e análises a seguir ajudam a entender por que o México aparece como um ganhador momentâneo das medidas, e quais os cenários que podem mudar esse quadro, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o México ganhou com as tarifas de Trump
Uma combinação de fatores explica a vantagem mexicana diante das novas tarifas de Trump. Primeiro, houve isenções específicas para produtos que cumprem as regras do T-MEC, o que tornou mais vantajoso exportar dentro do acordo comercial, segundo a analista Erica York, do centro de estudos Tax Foundation.
O Modelo de Orçamento Penn Wharton, da Universidade da Pensilvânia, mostrou que, em outubro de 2025, os produtos mexicanos pagaram uma tarifa de importação efetiva de 4,6%, contra 3,9% do Canadá, e 37,1% da China. A média do resto do mundo ficou em 10,91% em outubro, ante 2,2% em janeiro de 2025, antes do início do segundo mandato de Trump.
Além das isenções, a proximidade geográfica, infraestrutura industrial acumulada e investimentos de nearshoring ajudaram o México a captar demanda que antes vinha de outros mercados.
Dados e mudanças no comportamento dos exportadores
Antes das tarifas, parte significativa do comércio acontecia fora do T-MEC por causa de custos e burocracia, mas a situação mudou rapidamente. Em 2024, cerca de 38% das importações dos EUA vindas do Canadá e 49% das vindas do México estavam no âmbito do acordo.
Com as tarifas, esses percentuais subiram para cerca de 86% a 87% dos produtos, conforme a análise de Erica York, o que mostra uma mudança estratégica dos exportadores, que preferiram adaptar-se às regras do T-MEC para evitar a tributação mais alta.
O México registrou um crescimento das exportações para os EUA de 5,66% em 2025, segundo dados do Departamento de Comércio americano e números oficiais mexicanos até novembro de 2025, com seis meses consecutivos de alta após o anúncio das tarifas.
Setores que avançaram e os que perderam terreno
Nem todos os setores se beneficiaram igualmente. O setor automotivo mexicano cresceu apenas 0,9% em 2025, resultado aquém das expectativas, em parte porque as tarifas acabaram incidindo sobre componentes automotivos não cobertos pelo T-MEC.
Já produtos sujeitos a tarifas específicas, como aço e alumínio, sofreram com a tarifa de 25% e registraram queda nas exportações para os EUA. Ao mesmo tempo, manufaturas produzidas no México começaram a ocupar espaço conforme estoques comprados antes das tarifas foram se esgotando.
O economista Mario Campa, da Universidade Columbia, explicou que, quando compradores americanos percebem aumento generalizado de tarifas, tendem a escolher fornecedores com menor alíquota efetiva, beneficiando o México.
O teste decisivo, a renegociação do T-MEC e os riscos
O maior desafio agora é político e diplomático, com a renegociação do T-MEC marcada para o ano. A incerteza aumentou após declarações do presidente americano, que chegou a classificar o T-MEC como «irrelevante», afirmando que os EUA querem fabricar mais no país.
A reação da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, foi imediata, ao dizer estar «certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar», destacando a profunda integração industrial entre as economias.
Há cenários muito distintos na mesa, desde a renovação do acordo como está, até a desintegração do bloco. O economista Mario Campa alerta que a negociação pode resultar em um ganho adicional para o México, ou em uma catástrofe caso o tratado seja enfraquecido ou abandonado.
Além disso, movimentos comerciais externos, como o acordo do Canadá com a China, complicam o ambiente de negociação e enfraquecem a noção de proteção coordenada entre os três países do T-MEC.
Caminhos possíveis e recomendações para o México
Para reduzir vulnerabilidades, o México tem buscado diversificar mercados e anunciou iniciativas como o «Plano México», pensado para explorar alternativas ao forte vínculo com os EUA, segundo especialistas citados.
Se o pior cenário ocorrer na renegociação, o país precisará acelerar esforços de diversificação, atrair investimentos e fortalecer a indústria local para manter competitividade sem depender exclusivamente da vantagem criada pelas tarifas americanas.
Em resumo, as tarifas de Trump criaram hoje uma oportunidade para o México consolidar ganhos de comércio com os EUA, graças ao T-MEC e à realocação de cadeias produtivas, mas a sobrevivência desses avanços depende diretamente do resultado da renegociação do tratado e das decisões políticas dos Estados Unidos, conforme informação divulgada pelo g1.