Por que o México saiu como maior beneficiado pelas tarifas de Trump, como o T-MEC impulsionou exportações em 2025 e qual é o teste decisivo pela frente

A isenção para produtos que obedecem ao T-MEC, a proximidade geográfica e decisões de empresas mudaram fluxos comerciais, agora a renegociação do tratado será o grande teste

Nos meses após o anúncio das novas tarifas americanas, o México não apenas manteve o ritmo de vendas aos EUA, como registrou um ganho expressivo.

Empresas e investidores se reposicionaram para aproveitar regras do tratado norte-americano, enquanto outros mercados passaram a pagar tarifas muito mais altas.

Todas essas informações constam em reportagem do g1 sobre o impacto das medidas de Donald Trump e o papel do T-MEC, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o México foi favorecido pelas tarifas

Uma das chaves para o ganho mexicano foi a isenção aplicada a produtos que cumprem as normas do T-MEC. Essa vantagem fez com que exportadores passassem a usar o tratado como via preferencial para evitar tributos maiores.

Analistas citados na cobertura explicam que, diante do aumento das tarifas em várias frentes, compradores americanos, sejam empresas ou consumidores, tendem a optar por fornecedores que enfrentam as menores alíquotas, e o México se beneficiou dessa mudança.

Além disso, a proximidade logística com os Estados Unidos e uma base industrial já desenvolvida facilitaram a expansão de vendas mexicanas, com empresas que já produziam no país ocupando espaço deixado por fornecedores de outras regiões.

Os números que explicam a vantagem

Os dados mostram o alcance do efeito. As exportações mexicanas para os EUA cresceram cerca de 5,66% em 2025, segundo números oficiais mexicanos citados pelo g1, e, após o anúncio de abril, houve seis meses consecutivos de crescimento.

O Modelo de Orçamento Penn Wharton, da Universidade da Pensilvânia, indica que os produtos mexicanos pagaram uma tarifa de importação efetiva de 4,6% em outubro de 2025, contra 3,9% do Canadá, outro beneficiado relativo.

Em contraste, a tarifa efetiva para produtos chineses atingiu 37,1% no mesmo período, enquanto a média do resto do mundo foi de 10,91% em outubro, ante 2,2% registrados em janeiro de 2025, antes do início do segundo mandato de Donald Trump.

Setores específicos mostram resultados distintos, o que também ajuda a entender o quadro: o setor automotivo mexicano cresceu apenas 0,9% em 2025, apesar das negociações para limitar tarifas a componentes não cobertos pelo T-MEC, enquanto aço e alumínio, sujeitos a alíquotas de 25%, viram suas exportações para os EUA caírem.

Outro dado relevante é a migração para o uso efetivo do T-MEC: em 2024, cerca de 38% das importações americanas do Canadá e 49% das do México ocorreram via tratado, segundo analistas. Nos meses após as tarifas, esses percentuais subiram para aproximadamente 86% a 87%, indicando que exportadores mudaram de estratégia para evitar tributos maiores.

O mecanismo do desvio comercial e a imagem de “ganhador inesperado”

O cenário criado pelas medidas de 2 de abril de 2025, apelidado por Trump de “Dia da Libertação”, gerou um padrão de desvio comercial semelhante ao observado na guerra tarifária do primeiro mandato do ex-presidente.

Veículos como o The Wall Street Journal chegaram a classificar o México como um dos “ganhadores inesperados” da política tarifária americana, em função do aumento das exportações e da rápida adaptação de cadeias produtivas.

Especialistas apontam que parte desse efeito deriva de estoques e contratos que já existiam, sobretudo em bens não perecíveis, mas, com o esgotamento desses estoques, produtos fabricados no México ganharam mais espaço no mercado americano.

O teste decisivo: renegociação do T-MEC e os riscos à frente

Apesar do ganho imediato, o futuro não é garantido. Em 13 de janeiro, Donald Trump afirmou que, para ele, o T-MEC parece “irrelevante”, alimentando expectativas sobre a continuidade do tratado, cuja renegociação está prevista para este ano.

A resposta da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, foi de confiança, ela declarou estar “certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar”.

Além disso, movimentos externos, como a aproximação do Canadá com a China, com acordos assinados pelo primeiro-ministro Mark Carney, complicam a perspectiva de um bloco norte-americano coeso, segundo economistas citados pelo g1.

O especialista Mario Campa, da Universidade Columbia, aponta que os cenários vão do mais favorável, com renovação do acordo, até a desintegração do bloco, o que seria uma catástrofe para o México.

Como preparação, o governo mexicano lançou o chamado “Plano México” no início de 2025, que visa diversificar mercados e reduzir dependência excessiva dos EUA, uma alternativa recomendada caso o pior cenário se concretize.

O que observar nos próximos meses

Os próximos passos nas negociações do T-MEC serão determinantes para consolidar ou reverter o que foi conquistado em 2025. O México precisa manter incentivos à manufatura local, acelerar acordos com outros mercados e dar visibilidade ao plano de diversificação.

No curto prazo, será importante acompanhar: decisões sobre tarifas setoriais, o avanço da implementação do T-MEC nas cadeias produtivas, e sinais políticos de Washington sobre a manutenção ou alteração do tratado.

Se a isenção vinculada ao T-MEC permanecer, o México tem chances de manter sua posição privilegiada nas importações americanas, caso contrário, terá de acelerar alternativas para preservar emprego e faturamento das exportações.