quinta-feira, junho 4, 2026

Por que o petróleo não dispara mesmo com ameaças de Trump ao Irã e à Venezuela, entenda por que preços devem ficar entre US$ 60 e US$ 65 em 2026

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Tensões entre Trump, Irã e Venezuela ampliam riscos, mas o excesso de oferta e fatores de mercado devem manter o preço do petróleo estável em 2026

As recentes ameaças e ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã e a Venezuela provocaram oscilações no preço do petróleo, mas não alteraram a expectativa de mercado para o ano.

Analistas apontam que, diante de um **excesso de oferta** global, choques geopolíticos tendem a provocar apenas movimentos de curto prazo, sem sustentar uma alta duradoura nos preços.

Conforme informação divulgada pelo g1, a previsão é que o barril de petróleo fique entre US$ 60 e US$ 65 em 2026, um patamar próximo ao limite para que projetos caros do setor sigam viáveis.

Por que o petróleo não subiu de forma sustentada

O mercado internacional enfrenta um momento de oferta elevada, e essa dinâmica domina as expectativas sobre o preço do petróleo, segundo especialistas consultados pelo g1. Há um consenso de que os balanços de oferta e demanda para 2026 indicam excesso de oferta, disse Régis Cardoso, responsável pela cobertura de óleo e gás da XP.

Além disso, riscos geopolíticos, como os relacionados ao Estreito de Ormuz e à produção iraniana, já estão parcialmente incorporados aos preços, o que limita o impacto de novas ameaças. Como afirmou Cardoso, “Isso ainda é uma discussão sobre riscos futuros. O que aconteceu até o momento não teve efeito sobre os balanços de oferta e demanda do mercado”.

O diretor-geral da ANP, Artur Watt, ressalta que, apesar das incertezas, “O preço do petróleo já vinha em trajetória de baixa. Mas é normal que as notícias tragam oscilações”, o que explica picos e quedas rápidos sem alterar a tendência geral.

O efeito Trump, economia de curto prazo e os movimentos do mercado

Os episódios envolvendo Trump elevaram a volatilidade. Nos primeiros dias de 2026, após a ordem de um ataque contra a Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro, o Brent subiu 1,6%, para US$ 61,76, e no dia seguinte caiu 7%, para US$ 60,70, segundo dados da consultoria Elos Ayta.

Quando Trump também sugeriu atacar o Irã, o petróleo subiu de US$ 63,87 para US$ 66,52, mas recuou depois que o presidente americano deu sinais de recuo e de interesse em negociar, o que mostrou como o vaivém político impacta apenas o curto prazo.

Do lado iraniano, houve um encontro entre representantes dos dois países em que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que “Em um clima muito positivo, nossos argumentos foram trocados e os pontos de vista da outra parte nos foram apresentados”, e declarou concordância em continuar as negociações.

No caso da Venezuela, o eventual controle norte-americano das vendas não garante aumento rápido e sustentável da oferta. O petróleo venezuelano é pesado e de processamento mais complexo, e, como observou Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, “Algumas refinarias conseguem processar, mas isso exige tecnologia e conhecimento técnico. E essa é uma capacidade que a Venezuela hoje não tem”.

Estudos do IBP apontam que seriam necessários cerca de dois anos para iniciar projetos de retomada da produção na Venezuela e pelo menos oito anos para recuperar níveis do passado, lembrando que o país chegou a produzir mais de 3 milhões de barris por dia nos anos 1970.

O que a estabilidade do petróleo significa para o Brasil

Se o petróleo ficar entre US$ 60 e US$ 65 em 2026, o Brasil terá efeitos opostos na economia. Preços mais baixos ajudam a conter a inflação ao reduzir a pressão sobre combustíveis, o que é positivo para a população e para o banco central.

Por outro lado, a arrecadação pública pode ser prejudicada, porque receitas de royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras caem quando o preço do barril recua. Preços menores também tendem a reduzir a quantidade de projetos das petroleiras, por menor retorno sobre investimentos.

Outro ponto relevante para o consumidor é que a queda do preço internacional nem sempre chega integralmente às bombas. A Petrobras explicou que, no fim de janeiro, anunciou redução de R$ 0,14 no preço médio da gasolina A, após três meses sem alterações, e destacou que os preços praticados pela empresa representam apenas um terço do valor final pago pelos consumidores nos postos.

Conclusão, riscos e o que observar

A resposta para por que o petróleo não dispara, mesmo diante de ameaças geopolíticas, passa pela força da oferta global e pela incorporação de riscos nas cotações. Movimentos provocados por Trump, pelo Irã e pela Venezuela mexem com a volatilidade, mas não têm, até agora, mudado a estrutura de oferta e demanda para 2026.

Analistas recomendam acompanhar a evolução da produção, eventuais interrupções no Estreito de Ormuz e decisões de grandes produtores, além de indicadores de estoques e investimento nas petroleiras, para entender se o cenário de excesso de oferta vai persistir ou se haverá mudança duradoura nos preços do petróleo.

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