Tensão política cria picos, mas analistas apontam que a dinâmica de oferta e demanda e o excesso de oferta devem manter o preço do petróleo relativamente estável ao longo de 2026
Nas primeiras semanas do ano, ações e declarações dos Estados Unidos sobre Irã e Venezuela provocaram oscilações no mercado, sem mudar a expectativa para o preço do petróleo.
Especialistas destacam que a oferta elevada entre produtores e estoques confortáveis têm neutralizado choques, reduzindo a possibilidade de altas sustentadas.
No Brasil, a perspectiva de um barril mais barato ajuda a conter a inflação de combustíveis, mas pressiona receitas fiscais e dividendos do setor, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que as ameaças não elevaram o preço do petróleo de forma duradoura
O mercado mantém uma visão de curto prazo sobre eventos geopolíticos, e a leitura predominante é de que os balanços de oferta e demanda para 2026 mostram folga, o que limita impactos prolongados nos preços.
Segundo a cobertura da XP, “O mercado tem uma expectativa de baixa para os preços do petróleo. Há um consenso de que os balanços de oferta e demanda para 2026 indicam excesso de oferta”, afirma Régis Cardoso.
A previsão do mercado é que o preço do barril de petróleo fique entre US$ 60 e US$ 65 em 2026, um patamar considerado próximo do limite para viabilizar projetos mais caros do setor.
O que aconteceu com Irã e Venezuela e como o mercado reagiu
Nos primeiros dias de 2026, “Trump ordenou um ataque contra a Venezuela, em uma ação que resultou na prisão do presidente do país, Nicolás Maduro”. A ação gerou alta inicial no mercado, seguida de recuo
No caso do Irã, o país enfrenta protestos e fica próximo ao Estreito de Ormuz, rota estratégica, e “O Irã é um dos países fundadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e o 5º maior produtor de petróleo do mundo. Além disso, o país fica próximo ao Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado por navios no planeta.”
O diretor-geral da ANP, Artur Watt, ressalta que “O preço do petróleo já vinha em trajetória de baixa. Mas é normal que as notícias tragam oscilações” e, segundo ele, “Isso ainda é uma discussão sobre riscos futuros. O que aconteceu até o momento não teve efeito sobre os balanços de oferta e demanda do mercado”.
Limites práticos para a recuperação da produção venezuelana
Mesmo que os EUA passem a controlar vendas de petróleo venezuelano, analistas avaliam que o efeito seria temporário, porque é necessária ampla reconstrução da cadeia produtiva local e investimentos bilionários para elevar a produção.
Roberto Ardenghy, do IBP, observa que “Algumas refinarias conseguem processar, mas isso exige tecnologia e conhecimento técnico. E essa é uma capacidade que a Venezuela hoje não tem”. Estudos do setor indicam que seriam necessários dois anos para iniciar retomada e pelo menos oito anos para recuperar níveis históricos.
Impactos para o Brasil, entre alívio na inflação e queda de receitas
Para a economia brasileira, um preço do petróleo ao redor de US$ 60 a US$ 65 em 2026 tende a ter efeitos opostos. No varejo, combustíveis mais baratos aliviam a inflação, diminuindo pressões sobre preços da gasolina e do diesel.
Por outro lado, receitas federais, estaduais e municipais dependem de royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras, que caem quando os preços internacionais recuam. Além disso, preços mais baixos podem desestimular novos projetos de exploração.
A dinâmica atual explica porque, mesmo com quedas internacionais, os preços nas bombas podem demorar a cair, por conta de custos locais e da política de preços das refinarias, segundo analistas consultados pelo g1.