quinta-feira, junho 4, 2026

Por que quase metade dos brasileiros diz que a economia piorou, e como inflação, alta do preço dos alimentos e emprego moldam essa percepção, segundo Quaest

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Entenda por que 43% dizem que a situação da economia piorou, como 56% notam alta nos alimentos, e por que inflação, renda e mercado de trabalho reforçam esse sentimento

A percepção de piora na economia entre os brasileiros cresceu, mesmo com indicadores que mostram avanços pontuais, como queda do desemprego.

A análise combina dados de opinião e números oficiais, e mostra como sensação no dia a dia, preços visíveis e notícias econômicas se cruzam.

As conclusões a seguir se baseiam nas informações da pesquisa Quaest e em dados do IBGE, conforme informação divulgada pelo g1.

O que dizem as pesquisas e os números

Na pesquisa Quaest, Para 43% dos brasileiros a situação da economia piorou nos últimos 12 meses; 24% dizem que melhorou, uma fotografia do sentimento público.

A mesma pesquisa mostra que 49% desaprovam e 45% aprovam o governo Lula, diz Quaest, e que a percepção sobre emprego e preços está fortemente ligada a essa avaliação.

Preços dos alimentos e inflação, o impacto direto no bolso

O preço dos alimentos é um gatilho importante da percepção negativa. No levantamento, 56% dos entrevistados disseram que os valores estão mais altos no último mês.

No texto da pesquisa, os números foram apresentados assim, de forma detalhada:

No último mês, o preço dos alimentos: Subiram: 56% (eram 58% em janeiro) Ficaram iguais: 24% (eram 24%) Caíram: 18% (eram 16%) Não sabem/não responderam: 2% (era 2%)

Os dados oficiais de inflação também ajudam a explicar a sensação, apesar de variarem por categoria. Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra que os preços subiram 0,33% em janeiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 4,44%.

Poder de compra e emprego, por que a sensação permanece

A pesquisa perguntou ainda sobre poder de compra, e os números reforçam a percepção de aperto. A pergunta trouxe a tabela a seguir, com os resultados:

Com o dinheiro que recebe hoje, você consegue comprar: Mais: 15% (eram 18% em janeiro) Menos: 61% (eram 61%) O mesmo tanto: 23% (eram 18%) Não sabem/não responderam: 1% (eram 2%)

Ou seja, 61% dizem estar comprando menos do que antes, e isso tende a gerar uma sensação generalizada de piora na economia, mesmo quando indicadores agregados melhoram.

Sobre emprego, a percepção também puxa para baixo a avaliação econômica. A pesquisa registrou o seguinte:

Pelo que você ouve falar, está mais fácil ou mais difícil conseguir um emprego nos últimos 12 meses? Mais difícil: 49% Mais fácil: 39% Igual: 5% Não sabem/não responderam: 7%

Os números oficiais mostram melhora no emprego, a taxa média anual de desemprego no Brasil ficou em 5,6% em 2025, o menor patamar desde 2012, mas a percepção de dificuldade para conseguir vaga persiste entre quase metade da população.

Como conciliar percepção e estatísticas

A diferença entre sentimento e indicadores decorre de fatores práticos e psicológicos. Preços de itens básicos, como alimentos, são percebidos imediatamente no carrinho, e pequenas altas recorrentes reforçam a sensação de perda de poder de compra.

Além disso, notícias sobre inflação, reajustes de custos e a experiência direta no mercado de trabalho, mesmo com desemprego em queda, alimentam narrativas de aperto.

Em resumo, a combinação de 56% que viram alta no preço dos alimentos, o fato de 61% estarem comprando menos, e a percepção de que está mais difícil conseguir emprego para 49% explicam por que quase metade dos brasileiros diz que a economia piorou.

O que observar adiante

Para reverter a percepção, especialistas costumam apontar a necessidade de quedas mais claras nos preços ao consumidor, ganhos reais de renda e comunicação clara sobre expectativas de inflação.

Enquanto isso, variações mensais no IPCA e nos preços visíveis, como alimentos, continuam sendo determinantes no humor econômico da população.

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