Por que quase metade dos brasileiros diz que a economia piorou, mesmo com inflação moderada e desemprego em baixa, quando 56% reclamam do preço dos alimentos, aponta Quaest

A percepção de piora da economia cresce apesar de IPCA controlado e queda do desemprego, com forte impacto do custo dos alimentos, perda de poder de compra e receio sobre vagas de trabalho

A maior parte dos entrevistados diz sentir no bolso uma economia mais fraca, mesmo com indicadores oficiais que mostram inflação moderada e desemprego em queda.

Os sinais no dia a dia, como o aumento percebido dos preços dos alimentos e a sensação de perda do poder de compra, ajudam a explicar a reação da opinião pública.

Conforme informação divulgada pelo g1, esses dados foram levantados pela pesquisa Quaest e se combinam com números do IBGE que mostram variação recente da inflação.

Como a pesquisa mostra a percepção sobre preços

A pesquisa Quaest perguntou sobre o preço dos alimentos no último mês, e os números são diretos, Subiram: 56% (eram 58% em janeiro), Ficaram iguais: 24% (eram 24%), Caíram: 18% (eram 16%), Não sabem/não responderam: 2% (era 2%).

Esses percentuais permanecem estáveis em relação à rodada anterior, considerando a margem de erro, e ajudam a entender por que muitas famílias relatam impacto no orçamento.

Poder de compra, cortes e sentimento cotidiano

Sobre o que as pessoas conseguem comprar com a renda atual, a pesquisa registra, Mais: 15% (eram 18% em janeiro), Menos: 61% (eram 61%), O mesmo tanto: 23% (eram 18%), Não sabem/não responderam: 1% (eram 2%).

O dado mais marcante é que 61% dizem comprar menos do que um ano atrás, o que reflete redução do consumo, decisões de corte e a sensação de aperto nas despesas domésticas.

Emprego, desemprego e a sensação de dificuldade

No quesito emprego, a percepção também é desfavorável, Mais difícil: 49%, Mais fácil: 39%, Igual: 5%, Não sabem/não responderam: 7%.

Apesar disso, o dado do mercado mostra melhora estrutural, com a taxa média anual de desemprego no Brasil ficando em 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012.

Contraste entre percepção e indicadores, e o papel da inflação

O IBGE indica que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, subiu 0,33% em janeiro, e a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 4,44%.

Na prática, mesmo com inflação controlada na comparação mensal e desemprego em queda, o custo do dia a dia, especialmente de alimentos, e a sensação de perda de poder de compra fazem com que uma parte importante da população acredite que a economia piorou.

Além disso, a pesquisa traz sinais políticos e sociais, com 49% desaprovando e 45% aprovando o governo Lula, informações que ajudam a contextualizar o humor público em relação à situação econômica.

Em resumo, a combinação entre percepção de alta nos preços, queda do poder de compra, preocupações com o acesso ao emprego e a leitura política explica por que quase metade dos brasileiros diz que a economia piorou, mesmo com alguns indicadores oficiais positivos.