Powell e os juros, Trump diz que presidente do Fed está custando bilhões aos EUA após manter taxas entre 3,50% e 3,75%
Trump intensifica ataques a Powell, afirma que taxas elevadas geram ‘centenas de bilhões’ em despesas anuais, após Federal Reserve manter a taxa na faixa de 3,50% a 3,75%
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar o Federal Reserve, um dia depois da decisão do banco central de manter os juros inalterados.
Em publicação no Truth Social, Trump criticou Jerome Powell, chamou o presidente do Fed de ‘idiota’ e questionou a manutenção dos níveis de juros, pedindo cortes imediatos.
Na decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto, a taxa foi mantida entre 3,50% e 3,75%, e o próprio Fomc apontou que a geração de empregos nos EUA permaneceu baixa, enquanto a inflação segue ‘um pouco alta’, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse Trump
Trump afirmou que Powell “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em despesas com juros totalmente desnecessárias e injustificadas”, e defendeu que as taxas americanas deveriam ser as menores do mundo, por conta da entrada de receita por tarifas alfandegárias.
O tom das críticas não é novidade, ele já chegou a ameaçar demitir o presidente do Fed e a utilizar termos como ‘burro’ e ‘teimoso’ em referências anteriores, em reação à independência do banco central e à recusa em reduzir juros.
Decisão do Fed e posicionamento do Fomc
Na reunião, a decisão não foi unânime: dez dirigentes votaram para manter as taxas, enquanto dois se posicionaram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual. Um dos que apoiaram corte foi J. Waller, cotado para possível liderança futura do Fed.
O comunicado do Comitê destacou, entre outros pontos, que “a geração de empregos nos EUA permaneceu baixa”, que a “taxa de desemprego mostrou sinais de estabilidade” e que a “inflação segue ‘um pouco alta'”.
Conflito institucional e reação de Powell
Além das críticas públicas, há disputas legais em curso: no início do mês, o Departamento de Justiça dos EUA processou Powell, acusando-o de má administração em uma reforma na sede do Fed e de mentir ao Congresso sobre os gastos com a obra.
Powell respondeu em vídeo, afirmando que “essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo” e que “isso é sobre saber se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em dados e nas condições econômicas, ou se a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”.
Implicações para a economia e mercado
A manutenção da faixa de 3,50% a 3,75% veio em linha com as expectativas do mercado financeiro, e o Fed declarou que a incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada, e que o Comitê está atento aos riscos em ambos os lados de seu duplo mandato, direcionado a estimular o emprego e controlar a inflação.
Enquanto Trump sustenta que juros mais baixos favoreceriam o consumo e o crescimento, o Fed mantém o foco em dados econômicos, em especial emprego e inflação, e evita ceder a pressões políticas explícitas sobre a condução da política monetária.