Preço do ouro dispara para perto de US$ 5.600 após ameaças de Trump ao Irã, dólar fraco e busca por ativos seguros elevam prata e petróleo

Tensão entre Estados Unidos e Irã acelera a procura por metais preciosos, o preço do ouro se aproxima de US$ 5.600 por onça, a prata sobe temporariamente e o dólar perde força

O mercado financeiro registrou alta forte no início do dia após declarações do presidente dos Estados Unidos sobre o Irã, com o preço do ouro alcançando níveis recordes.

Em momentos da sessão asiática, o metal chegou a subir mais de US$ 300, superando US$ 5.595 por onça, e se aproximou de US$ 5.600, o que equivale a mais de R$ 29 mil por onça.

O movimento pressionou a procura por prata e elevou os preços do petróleo, ao mesmo tempo em que o dólar seguiu enfraquecido frente a outras moedas, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o preço do ouro subiu

A alta do preço do ouro foi impulsionada pelo aumento das tensões entre EUA e Irã depois de declarações do presidente americano que sugeriram possibilidade de ação militar. O presidente afirmou que Teerã deveria negociar um acordo sobre seu programa nuclear e, em sua plataforma Truth Social, escreveu, “Esperamos que o Irã se sente em breve à mesa para negociar um acordo justo e equilibrado para todas as partes, ARMAS NUCLEARES NÃO”.

Em outra postagem, ele acrescentou, “O próximo ataque será muito pior. Não deixem que isso volte a acontecer”, em referência a bombardeios anteriores contra instalações nucleares iranianas.

Além do fator geopolítico, a desvalorização do dólar contribuiu para que investidores buscassem proteção em ativos reais, intensificando a demanda por ouro.

Como reagiram prata, petróleo e mercado físico

A corrida ao ouro elevou temporariamente a prata, já que alguns investidores procuraram alternativas físicas diante do preço recorde do ouro. Em Hong Kong, lojas relatavam filas e esgotamento de barras, e um comprador identificado como Ken Wong afirmou ter conseguido adquirir cinco barras de prata.

Os preços do petróleo também subiram, com o West Texas Intermediate alcançando seu nível mais alto desde setembro, e o Brent do Mar do Norte atingindo a maior cotação desde julho, em reação a temores sobre oferta diante da escalada de tensões no Oriente Médio.

Opinião de analistas e sinais no mercado

Para o analista Stephen Innes, “O ouro é o oposto da confiança. Quando a credibilidade das políticas enfraquece, o metal deixa de atuar apenas como proteção e passa a ser uma alternativa. É isso que estamos vendo agora. Não se trata de medo de recessão”.

O movimento no mercado físico encontrou oferta adicional, mas ainda assim houve relatos de vendas rápidas em centros financeiros asiáticos, indicando forte demanda imediata por metais preciosos.

Impacto sobre o dólar e próximos passos

O dólar manteve pressão de baixa, mesmo após declarações do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de que “os Estados Unidos sempre tiveram uma política de dólar forte”, um dia depois de o presidente demonstrar apoio à desvalorização da moeda.

Um grupo de ataque naval americano, descrito por Trump como uma “armada” e liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, está em águas do Oriente Médio, cenário que aumenta a incerteza geopolítica e deve manter o foco dos investidores em ativos considerados seguros como o ouro.

Analistas dizem que a evolução das negociações nucleares com o Irã, movimentos diplomáticos e indicadores econômicos globais poderão ditar se o preço do ouro se estabiliza nesse patamar elevado ou se haverá correções nos próximos pregões.