Preço do ouro dispara perto de US$ 5.600 após ameaças de Trump ao Irã, dólar em queda e investidores correm para metais, prata também sobe temporariamente
Tensão geopolítica e desvalorização cambial elevam o preço do ouro, que se aproximou de US$ 5.600 por onça e levou investidores a buscar proteção em metais preciosos
O preço do ouro disparou e alcançou níveis recordes nesta quinta-feira, com cotações próximas de US$ 5.600 por onça, após declarações do presidente dos Estados Unidos sobre o Irã.
A apreciação do metal precioso ocorreu junto com a desvalorização do dólar e um aumento temporário da prata, enquanto o mercado digere o risco de maior conflito no Oriente Médio.
As informações acima foram relatadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
Como a fala de Trump pressionou os mercados
O movimento mais abruto veio após o presidente norte-americano afirmar que Teerã deveria negociar um acordo sobre seu programa nuclear e, em sua plataforma, escrever, “Esperamos que o Irã se sente em breve à mesa para negociar um acordo justo e equilibrado para todas as partes, ARMAS NUCLEARES NÃO”.
Ele também escreveu, “O próximo ataque será muito pior. Não deixem que isso volte a acontecer”, em referência a bombardeios contra instalações iranianas em junho do ano passado, e disse estar, “pronto, disposto e capacitado para cumprir rapidamente sua missão, com força e rapidez, se necessário”.
Relatos indicaram também a presença de um grupo de ataque naval americano liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln em águas do Oriente Médio, e a rede CNN informou que Trump estaria considerando um ataque após o fracasso das negociações nucleares.
Dados de mercado e comportamento dos investidores
No pregão asiático, o preço do ouro chegou a subir mais de US$ 300 em um momento, superando US$ 5.595 por onça, o equivalente a mais de R$ 29 mil por onça.
A pressão sobre o dólar também alimentou a busca por ativos considerados seguros, e a prata registrou aumento temporário da procura, com lojas em Hong Kong vendendo centenas de barras em pouco mais de uma hora.
Em meio à alta do ouro, investidores de varejo passaram a comprar prata como alternativa, com relatos como o de Ken Wong, aposentado de 65 anos, que entrou em fila e conseguiu comprar cinco barras de prata para aproveitar a valorização.
Impactos em outras commodities e análise
O movimento geopolítico elevou também os preços do petróleo, com o West Texas Intermediate subindo quase 2% e o Brent do Mar do Norte alcançando sua maior cotação desde julho, diante de preocupações sobre oferta.
Na avaliação de analistas, o sentimento por trás da alta não seria apenas medo de recessão. Como observou o analista Stephen Innes, “O ouro é o oposto da confiança. Quando a credibilidade das políticas enfraquece, o metal deixa de atuar apenas como proteção e passa a ser uma alternativa. É isso que estamos vendo agora. Não se trata de medo de recessão”.
Enquanto isso, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à CNBC que, “os Estados Unidos sempre tiveram uma política de dólar forte”, comentário que não foi suficiente para conter a pressão cambial após declarações do presidente.
O que observar adiante
O mercado seguirá atento a desdobramentos diplomáticos, sinais de ações militares e novas falas de autoridades americanas e iranianas, porque qualquer escalada deve manter o preço do ouro em níveis elevados enquanto durar a incerteza.
Investidores e consumidores também monitoram oferta física de metais, movimentos do câmbio e variações nos preços do petróleo, que tendem a reforçar a busca por ativos de refúgio em cenários de risco.