Tensão entre Estados Unidos e Irã leva preço do ouro a níveis recordes, com investidores fogendo para ativos seguros e a prata ganhando demanda como alternativa
O mercado financeiro foi sacudido por novas ameaças do presidente Donald Trump contra o Irã, e o preço do ouro disparou nesta quinta-feira.
Em sessão na Ásia, o metal precioso alcançou cotações históricas, enquanto a desvalorização do dólar ampliou a atratividade de investimentos de proteção.
Esses movimentos também provocaram uma alta temporária da prata e pressão nos preços do petróleo, conforme informação divulgada pelo g1.
O que motivou a alta e o que Trump disse
O impulso imediato veio depois de mensagens do presidente dos EUA, que afirmou que o Irã deveria sentar-se à mesa para negociar seu programa nuclear, e escreveu, em sua plataforma Truth Social, “Esperamos que o Irã se sente em breve à mesa para negociar um acordo justo e equilibrado para todas as partes — ARMAS NUCLEARES NÃO”, e acrescentou, “O próximo ataque será muito pior. Não deixem que isso volte a acontecer”.
Trump também declarou estar “pronto, disposto e capacitado para cumprir rapidamente sua missão, com força e rapidez, se necessário”.
A CNN informou que o presidente estaria considerando um ataque após o fracasso das negociações nucleares, sinalizando risco maior de confronto, e isso alimentou a busca por segurança no mercado.
Como o mercado reagiu, com números
O preço do ouro chegou a subir mais de US$ 300 em determinado momento na sessão asiática, superando US$ 5.595 por onça, e aproximando-se de US$ 5.600, o que equivale a mais de R$ 29 mil por onça nas cotações reportadas.
Analistas destacam que, diante da incerteza política, o metal passa de proteção para alternativa de investimento, como afirmou Stephen Innes, “O ouro é o oposto da confiança. Quando a credibilidade das políticas enfraquece, o metal deixa de atuar apenas como proteção e passa a ser uma alternativa. É isso que estamos vendo agora. Não se trata de medo de recessão”.
Além disso, o dólar seguiu pressionado após comentários de apoio de Trump à desvalorização da moeda, mesmo com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, dizendo à CNBC que “os Estados Unidos sempre tiveram uma política de dólar forte”.
Demanda por prata e comportamento de investidores
Com o preço do ouro em patamar recorde, investidores, sobretudo em Hong Kong, passaram a comprar barras de prata como alternativa mais acessível, e lojas relataram esgotamento rápido de estoques.
Um comprador identificado como Ken Wong, aposentado de 65 anos, entrou na fila cedo e conseguiu adquirir barras de prata, afirmando que o ouro ficou “caro demais”, segundo relatos da AFP citados pelo g1.
O movimento ilustra como, em momentos de tensão geopolítica, metais preciosos correlacionados se tornam refúgios líquidos e procurados, alterando a dinâmica de oferta e demanda no varejo e no atacado.
Impacto no petróleo e perspectivas
O avanço das tensões elevou também os preços do petróleo, com o West Texas Intermediate alcançando o nível mais alto desde setembro e o Brent do Mar do Norte em sua maior cotação desde julho, em uma reação a preocupações sobre oferta.
Analistas de mercado avisam que a volatilidade deve persistir enquanto houver risco geopolítico elevado, mantendo o preço do ouro como um termômetro de aversão ao risco, e a prata como alternativa imediata para pequenos investidores.
Investidores acompanham a movimentação do grupo de ataque naval americano, descrito por Trump como uma “armada” liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln em águas do Oriente Médio, e avaliam desdobramentos das negociações nucleares com Teerã.
Em resumo, a combinação de ameaças do presidente dos EUA ao Irã, a queda do dólar e a busca por refúgios impulsionou a alta do preço do ouro para níveis recordes, com efeitos também sobre a prata e os mercados de energia.