Pressão geopolítica e desvalorização do dólar elevam a busca por ativos seguros, com o preço do ouro registrando recorde próximo a US$ 5.600 por onça e puxando alta da prata
O mercado financeiro registrou forte movimento de fuga para ativos seguros após declarações do presidente dos Estados Unidos sobre o Irã.
O preço do ouro subiu rapidamente, levando investidores a mirar também na prata, diante do encarecimento do metal amarelo.
Houve reflexos em outras commodities e na cotação do dólar, em meio a incertezas sobre ações militares, conforme informação divulgada pelo g1
O que motivou a alta e as declarações de Trump
Em uma mensagem publicada em sua plataforma Truth Social, o presidente Donald Trump cobrou que Teerã sente-se à mesa para negociar um acordo sobre seu programa nuclear, e escreveu que o tempo está se esgotando.
Trump afirmou que está “pronto, disposto e capacitado para cumprir rapidamente sua missão, com força e rapidez, se necessário”, e advertiu que “o próximo ataque será muito pior, não deixem que isso volte a acontecer”, em referência a ataques anteriores contra instalações iranianas.
A rede CNN informou que Trump estaria considerando um ataque após o fracasso das negociações nucleares, aumentando a percepção de risco no Oriente Médio.
Movimento nos preços, números e impacto nos metais
O ouro chegou a subir mais de US$ 300 em um momento da sessão no mercado asiático, superando US$ 5.595 por onça, e ficando próximo de US$ 5.600, o que equivale a mais de R$ 29 mil por onça.
O aumento da procura por metais preciosos também impulsionou uma alta temporária da prata, já que muitos investidores passaram a buscar alternativas ao ouro, que ficou inacessível para parte do público.
Em Hong Kong, lojas relataram o esgotamento de centenas de barras de prata em pouco mais de uma hora, enquanto consumidores formaram filas para comprar pequenas quantidades do metal.
Efeitos no dólar e no petróleo
A desvalorização do dólar favoreceu a alta do ouro, e a moeda americana permaneceu pressionada mesmo após declarações do secretário do Tesouro, Scott Bessent, à CNBC, de que “os Estados Unidos sempre tiveram uma política de dólar forte”.
Ao mesmo tempo, as tensões geopolíticas elevaram os preços do petróleo em quase 2 por cento, com o West Texas Intermediate alcançando seu nível mais alto desde setembro, e o Brent do Mar do Norte registrando a maior cotação desde julho, diante de preocupações com oferta.
Perspectiva de mercado e avaliação de analistas
O analista de mercados Stephen Innes destacou o efeito psicológico por trás do movimento, ao afirmar, “O ouro é o oposto da confiança. Quando a credibilidade das políticas enfraquece, o metal deixa de atuar apenas como proteção e passa a ser uma alternativa. É isso que estamos vendo agora. Não se trata de medo de recessão“.
Para especialistas, a continuidade da alta dependerá da evolução das tensões entre Estados Unidos e Irã, do comportamento do dólar, e de fluxos de compra física de metais, especialmente em mercados asiáticos onde a demanda se mostrou imediata.
Investidores devem acompanhar negociações diplomáticas, posicionamento militar na região, e dados econômicos que possam influenciar a força do dólar, fatores que devem determinar a sustentação dos preços do ouro e da prata nos próximos dias.