Alta recorde, com aumento de mais de US$ 300 na sessão asiática e cotação acima de US$ 5.595 por onça, impulsionada por tensão geopolítica, dólar desvalorizado e busca por proteção
O metal precioso registrou forte valorização em meio a novas ameaças dos Estados Unidos ao Irã e a um dólar mais fraco, aumentando a procura por ativos considerados de refúgio.
Em parte da sessão na Ásia, o ouro subiu mais de US$ 300 e superou a marca de US$ 5.595 por onça, levando investidores a migrarem também para a prata, em picos de compra em centros como Hong Kong.
O movimento elevou preços do petróleo e tensionou mercados globais, com investidores buscando proteção e liquidez de ativos seguros, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o ouro subiu tão forte
O avanço foi desencadeado por declarações do presidente americano, que pressionou o Irã a negociar e ameaçou ação militar, criando um cenário de risco geopolítico elevado.
Em sua plataforma Truth Social, o presidente escreveu, “Esperamos que o Irã se sente em breve à mesa para negociar um acordo justo e equilibrado para todas as partes, ARMAS NUCLEARES NÃO”, e acrescentou, “O próximo ataque será muito pior, Não deixem que isso volte a acontecer”, em referência a bombardeios anteriores contra instalações iranianas.
O presidente também afirmou estar “pronto, disposto e capacitado para cumprir rapidamente sua missão, com força e rapidez, se necessário”, e a CNN reportou que ele estaria considerando um ataque após o fracasso das negociações nucleares.
Impacto no mercado, prata e petróleo
A escalada levou investidores a comprar prata como alternativa ao ouro, que ficou muito caro, e lojas em Hong Kong relataram esgotamento de centenas de barras em pouco mais de uma hora.
Um exemplo citado na cobertura foi o de Ken Wong, aposentado de 65 anos, que entrou na fila cedo e comprou cinco barras de prata para aproveitar a alta, dizendo que o ouro ficou “caro demais”.
Os preços do petróleo também subiram quase 2 por cento, o West Texas Intermediate alcançando o nível mais alto desde setembro e o Brent do Mar do Norte batendo sua maior cotação desde julho, em razão de preocupações com oferta.
Relação com o dólar e avaliação de analistas
Além da tensão geopolítica, a desvalorização do dólar favoreceu metais preciosos, pressionando ainda mais a busca por ouro como proteção patrimonial.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à CNBC que “os Estados Unidos sempre tiveram uma política de dólar forte”, um dia depois de o presidente demonstrar apoio à desvalorização da moeda, segundo a cobertura.
O analista Stephen Innes avaliou, “O ouro é o oposto da confiança, Quando a credibilidade das políticas enfraquece, o metal deixa de atuar apenas como proteção e passa a ser uma alternativa, É isso que estamos vendo agora, Não se trata de medo de recessão”.
Apesar de aumento na oferta para tentar atender à demanda, revendedores relataram vendas rápidas e falta de estoque em pontos-chaves, o que manteve a pressão sobre os preços.
O que esperar a seguir
Investidores e gestores de risco monitoram comunicados oficiais e movimentações militares na região, enquanto mercados avaliam cenários de oferta no petróleo e fluxo de capitais para ativos de refúgio.
Com o ouro em níveis inéditos e a prata reagindo como alternativa, a volatilidade deve permanecer alta enquanto persistirem incertezas sobre desfechos diplomáticos e possíveis ações militares.