quinta-feira, junho 4, 2026

Preço do petróleo pode atingir US$ 100 por barril após ataques ao Irã, Brent sobe 10% e risco de bloqueio do Estreito de Ormuz pressiona oferta

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Conflito em expansão leva operadores a preverem barril entre US$ 90 e US$ 100, enquanto fechamento do Estreito de Ormuz ameaça retirar milhões de barris por dia do mercado

O mercado internacional reagiu com alta acentuada, com o preço do petróleo registrando um salto de 10% no fim de semana, em meio ao aumento das tensões após ataques a alvos no Irã.

A oferta ficou sob risco pela possibilidade de interrupção nas rotas do Golfo Pérsico, provocando preocupação entre armadores, refinarias e governos na Ásia e no Oriente Médio.

Os números e declarações que seguem foram compilados a partir das informações divulgadas pelo g1, e mostram cenários que podem elevar o preço do petróleo a patamares próximos ou superiores a US$ 100 por barril, conforme informação divulgada pelo g1.

Alta imediata e números do mercado

No mercado de balcão, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, avançou 10% neste domingo, alcançando cerca de US$ 80 por barril, segundo operadores do setor.

Na sexta-feira anterior, o Brent já havia fechado a US$ 73 por barril, o maior nível desde julho, movimento que vinha sendo impulsionado pela preocupação com a possibilidade de ataques, que se confirmaram no dia seguinte.

O mercado futuro ficou fechado durante o fim de semana, mas analistas e operadores passaram a projetar que a cotação pode chegar a US$ 100 após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que ampliaram o conflito no Oriente Médio.

Risco do Estreito de Ormuz e citações de especialistas

O ponto central para o preço do petróleo é a segurança das rotas, em especial o Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% do petróleo consumido globalmente.

Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS, afirmou que “Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz”.

Parmar também declarou, em comentário reproduzido pelos mercados, que “Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais próximos de US$100 por barril e talvez excedam esse nível se houver uma interrupção prolongada no Estreito”.

Impacto na oferta e medidas de produtores

Fontes do mercado relataram que, após alertas de Teerã às embarcações, a maioria dos armadores, grandes companhias de petróleo e empresas comerciais interrompeu o transporte de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz.

Em resposta parcial à crise, a Opep+ decidiu aumentar a produção em 206.000 barris por dia, a partir de abril, acréscimo que representa menos de 0,2% da demanda global, número insuficiente para compensar uma paralisação nessa rota estratégica.

De acordo com Jorge Leon, economista de energia da Rystad, “mesmo que parte do fluxo seja redirecionada por rotas alternativas, como o oleoduto Este-Oeste da Arábia Saudita e o oleoduto de Abu Dhabi, um eventual fechamento do Estreito de Ormuz retiraria entre 8 milhões e 10 milhões de bpd da oferta global”.

A Rystad estimou que, na reabertura do mercado, os preços possam subir US$ 20, alcançando cerca de US$ 92 por barril, cenário que já pressiona avaliações de risco e estoques.

Projeções, alternativas e reflexo para importadores

Analistas do RBC relataram que líderes do Oriente Médio avisaram Washington de que uma guerra contra o Irã pode levar o barril a superar US$ 100, enquanto o Rabobank tem uma projeção mais moderada, mas ainda prevê preços acima de US$ 90 por barril no curto prazo.

Em resposta à escassez potencial, governos e refinarias da Ásia começaram a revisar estoques e procurar fontes alternativas de abastecimento, incluindo maior interesse por petróleo russo, conforme analistas da Kpler, que citaram a Índia como possível comprador para compensar uma redução do fornecimento do Oriente Médio.

O aumento do preço do petróleo tende a pressionar custos de combustíveis e logística globalmente, elevando incertezas para inflação e cadeias de suprimentos nas próximas semanas.

Com a situação ainda fluida, operadores, governos e agentes do mercado acompanham sinais sobre a segurança das rotas e eventuais novas decisões da Opep+, que podem mitigar ou agravar a trajetória do preço do petróleo nos próximos dias.

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