Mercado reage com forte alta do preço do petróleo, com temores de corte de oferta global se o Estreito de Ormuz for fechado, e busca por rotas alternativas aumenta
O preço do petróleo disparou neste fim de semana em reação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, elevando a preocupação com interrupções no tráfego marítimo e no fornecimento global.
Operadores e analistas dizem que, se a passagem pelo Estreito de Ormuz ficar comprometida, a oferta pode sofrer forte redução e os preços seguirão em alta.
As primeiras reações dos mercados já indicam um movimento para contratos mais caros e uma revisão das rotas e estoques por parte de refinarias e governos, conforme informação divulgada pelo g1
O que aconteceu nos mercados
Em operações fora das bolsas formais, houve uma forte valorização dos contratos de referência. “O petróleo do tipo Brent, referência internacional, avançou 10% neste domingo no mercado de balcão, alcançando cerca de US$ 80 por barril, segundo operadores do setor.”
Na sexta-feira anterior, o movimento já apontava alta, “Na sexta-feira, o Brent já havia fechado a US$ 73 por barril, o maior nível desde julho.” Essa escalada reforça a volatilidade no curto prazo.
Além disso, “O mercado futuro, onde são negociados contratos com liquidação em datas posteriores, permanece fechado durante o fim de semana.”, o que deixa parte das estimativas sujeitas à abertura dos pregões nesta segunda.
Risco no Estreito de Ormuz e impacto na oferta
O ponto central da tensão é a possibilidade de interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde, segundo fontes, “Mais de 20% do petróleo consumido globalmente passa por essa rota.”
Analistas estimam perdas severas na oferta em caso de bloqueio, por exemplo, “um eventual fechamento do Estreito de Ormuz retiraria entre 8 milhões e 10 milhões de bpd da oferta global”, afirmou Jorge Leon, economista de energia da Rystad.
A Rystad também projeta impactos diretos nos preços, “A Rystad estima que, na reabertura do mercado, os preços possam subir US$ 20, alcançando cerca de US$ 92 por barril.”
Projeções e avisos de analistas
Com a escalada do conflito, analistas mais cautelosos e os mais pessimistas já revisaram cenários. “Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais próximos de US$100 por barril e talvez excedam esse nível se houver uma interrupção prolongada no Estreito”, disse Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS.
A analista Helima Croft, do RBC, afirmou que “líderes do Oriente Médio alertaram Washington de que uma guerra contra o Irã pode levar o barril a superar US$ 100.” Em contraste, “Já o Rabobank tem uma projeção menos intensa, mas ainda prevê preços acima de US$ 90 por barril no curto prazo, descrevendo sua visão como menos ‘altista’.”
Resposta dos produtores e alternativas logísticas
Em resposta à pressão dos preços, o bloco Opep+ decidiu ampliar oferta de maneira limitada, pois “A Opep+ — grupo que reúne países produtores de petróleo e aliados — decidiu elevar a produção em 206.000 barris por dia (bpd) a partir de abril.”
Especialistas apontam que esse aumento é pequeno frente à demanda global, e que países consumidores da Ásia já revisam estoques e buscam rotas alternativas, como oleodutos e suprimentos de outros fornecedores, para minimizar riscos.
Em suma, o preço do petróleo segue sob influência direta da evolução do conflito no Irã, com cenários que vão de ajustes pontuais até picos superiores a US$ 100 por barril se houver interrupção prolongada na rota do Estreito de Ormuz.