Preços do petróleo sobem antes de negociações EUA e Irã em Genebra, com Opep+ planejando aumento de oferta e investidores avaliando risco ao Brent e ao WTI

Investidores monitoram desdobramentos em Genebra, possíveis impactos da Opep+ na oferta, e cenários de risco que podem pressionar ou aliviar os preços do petróleo

Os mercados de petróleo abriram a semana em leve alta, com agentes avaliando como as negociações entre os Estados Unidos e o Irã podem afetar a oferta global.

Além das conversas diplomáticas, há pressão da expectativa de retomada de aumentos de produção pela Opep+, e movimentos de compra e venda em resposta a sinais de risco no Oriente Médio.

Os dados e comentários sobre preços e volumes foram divulgados em matérias recentes, conforme informação divulgada pelo g1.

Movimento de preços e indicadores do dia

Os contratos internacionais registraram alta moderada nesta segunda-feira. Os futuros do petróleo Brent (referência internacional) subiram 0,6%, para US$ 68,16 (R$ 356,40) por barril às 12h08 no Brasil. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA estava a US$ 63,32 (R$ 331,09) por barril, com alta de 0,7%, com o contrato sem liquidação devido ao feriado do Dia dos Presidentes nos Estados Unidos.

Os temores de interrupção no fornecimento por causa das tensões entre os EUA e o Irã ajudaram a manter os preços estáveis, avaliam analistas de mercado, mesmo com fatores sazonais reduzindo o ritmo das negociações na Ásia.

Negociações EUA e Irã, e possíveis impactos

Os dois países devem realizar uma segunda rodada de negociações em Genebra na terça-feira, sobre o programa nuclear de Teerã, em conversas mediadas por Omã.

Na véspera das negociações com Washington, o ministro das Relações Exteriores do Irã se reuniu com o chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas, e autoridades iranianas dizem buscar um acordo que traga benefícios econômicos, incluindo investimentos em energia e mineração, e compras de aeronaves.

Autoridades americanas disseram à Reuters que os EUA se preparam para a possibilidade de uma campanha militar sustentada caso as negociações não tenham sucesso, e a Guarda Revolucionária do Irã alertou que, em caso de ataques ao território iraniano, poderia retaliar contra qualquer base militar americana.

Analistas também oferecem cenários claros de preço, com destaque para a avaliação do banco SEB, “O aumento da tensão iraniana pode levar o Brent a US$ 80 por barril. O enfraquecimento da tensão faria com que ele caísse para US$ 60 por barril”, disseram analistas do SEB em uma nota.

Opep+, oferta e fatores de demanda

Enquanto a tensão geopolítica pressiona, os países da Opep+ trabalham para conter uma alta forte nos preços, inclinando-se para retomar aumentos de produção a partir de abril, após uma pausa de três meses, segundo informações da Reuters.

Esse movimento deve aumentar a oferta no mercado em um momento em que a demanda tem sinais mistos, com mercados importantes da Ásia, como China, Coreia do Sul e Taiwan, fechados por feriados do Ano Novo Lunar, o que tende a moderar a liquidez e a volatilidade no curtíssimo prazo.

Além disso, dados de rastreamento de navios indicam que as importações chinesas de petróleo russo devem subir pelo terceiro mês consecutivo, atingindo um novo recorde em fevereiro, depois que a Índia reduziu compras sob pressão dos Estados Unidos.

O que observar nos próximos dias

Investidores devem acompanhar a segunda rodada em Genebra, as declarações oficiais de negociadores, e dados de fluxo de navios e estoques, que podem traduzir rapidamente em variação nos preços.

Combinando expectativas de oferta pela Opep+ e o risco geopolítico ligado às conversas entre EUA e Irã, os preços do petróleo podem oscilar entre cenários de queda moderada e saltos relevantes caso haja novas tensões.

Fontes consultadas incluem reportagens e dados divulgados pelo g1, com base em informações da Reuters e analistas de mercado.