Preços do petróleo sobem antes de nova rodada de negociações EUA e Irã em Genebra, impacto no Brent, no WTI e no cronograma de oferta da Opep+
Tensão entre Washington e Teerã, decisões da Opep+ e feriados na Ásia reajustam expectativas, com reflexos imediatos nos mercados globais de energia
Os mercados internacionais reagiram de forma moderada nesta segunda-feira, com preços do petróleo registrando alta leve enquanto investidores pesavam os impactos da nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã.
A reunião, prevista para terça-feira em Genebra, foi colocada no radar por trazer potencial de redução das tensões geopolíticas, simultaneamente a previsões de aumento da oferta por parte da Opep+ a partir de abril.
Esses fatores, somados a feriados que mantêm mercados asiáticos fechados, ajudam a explicar a oscilação vista nos contratos de petróleo nas primeiras horas do dia, conforme informação divulgada pelo g1.
Movimentação dos preços e números divulgados
Os contratos do Brent, referência internacional, apresentaram alta moderada, com variação de 0,6%, chegando a US$ 68,16 por barril, o que foi informado com a conversão para R$ 356,40 por barril no relatório das 12h08 no Brasil.
O petróleo West Texas Intermediate, WTI dos EUA, registrou alta de 0,7%, cotado a US$ 63,32 por barril, com a observação de que o contrato não teve liquidação na segunda-feira devido ao feriado do Dia dos Presidentes nos Estados Unidos.
O analista da PVM, Tamas Varga, comentou à Reuters que os temores de interrupção no fornecimento por conta das tensões entre EUA e Irã ajudaram a manter os preços estáveis, indicando que o risco geopolítico segue como fator de suporte para o mercado.
Negociações em Genebra e risco militar
Os dois países devem realizar uma segunda rodada de negociações em Genebra na terça-feira, 17 de fevereiro, com mediação de Omã, em busca de avanços sobre o programa nuclear do Irã.
Em paralelo às negociações, autoridades americanas preparam-se para a possibilidade de uma campanha militar sustentada caso o diálogo não avance, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que, se houver ataques ao território iraniano, poderia retaliar contra qualquer base militar americana.
O Irã busca um acordo que traga benefícios econômicos, incluindo investimentos em energia e mineração, e compras de aeronaves, segundo declarações de diplomatas citadas nas reportagens sobre as conversas.
Projeções, decisão da Opep+ e influência na oferta
Analistas do SEB destacaram, na nota citada pela matéria, que “O aumento da tensão iraniana pode levar o Brent a US$ 80 por barril. O enfraquecimento da tensão faria com que ele caísse para US$ 60 por barril”, reafirmando a sensibilidade do mercado a choques geopolíticos.
Enquanto isso, fontes indicam que a Opep+ planeja retomar aumentos de produção a partir de abril, após uma pausa de três meses, o que pode limitar subidas significativas nos preços, caso a decisão seja confirmada na reunião de 1º de março.
Contexto de demanda, feriados e importações
Mercados da China, Coreia do Sul e Taiwan ficaram fechados por conta do Ano Novo Lunar, o que contribuiu para uma negociação mais moderada, com volumes abaixo do normal, e menor volatilidade imediata.
Além disso, dados de rastreamento de navios apontaram que as importações chinesas de petróleo russo devem subir pelo terceiro mês consecutivo, atingindo novo recorde em fevereiro, compensando parte da redução de compras pela Índia em razão de pressões externas.
Em suma, a combinação entre risco geopolítico, movimentos esperados da Opep+ e a dinâmica da demanda na Ásia formam o painel que orienta as variações dos preços do petróleo no curto prazo, enquanto mercados aguardam os resultados das negociações em Genebra e sinais sobre a oferta global.