Preços do petróleo sobem antes de nova rodada de negociações EUA-Irã em Genebra, com impactos para Brent, WTI e possível resposta da Opep+
Segunda rodada em Genebra em 17 de fevereiro coloca em foco riscos de oferta e pressiona preços do petróleo, entre alta moderada dos contratos e decisões da Opep+
Os mercados de energia abriram a semana avaliando o efeito das negociações entre Estados Unidos e Irã sobre os preços do petróleo, com leve alta nas cotações e atenção às ações da Opep+ sobre a oferta.
O ambiente é marcado por incerteza, com fatores geopolíticos que podem elevar ou reduzir os riscos de interrupção no fornecimento, e pelo calendário de feriados na Ásia, que limita o volume de negociação.
Os números das cotações e as análises de mercado foram divulgados na cobertura, conforme informação divulgada pelo g1.
Movimento das cotações e dados do mercado
Os futuros do petróleo Brent, referência internacional, subiram 0,6%, para US$ 68,16 (R$ 356,40) por barril, às 12h08 no Brasil. Já o petróleo West Texas Intermediate, WTI, dos EUA estava a US$ 63,32 (R$ 331,09) por barril, com alta de 0,7%.
O contrato do WTI não terá liquidação na segunda-feira, porque é feriado do Dia dos Presidentes nos Estados Unidos, o que reduz a liquidez em contratos próximos.
Na semana anterior, os dois índices de referência registraram quedas semanais, com o Brent fechando cerca de 0,5% abaixo e o WTI perdendo 1%, em reação a comentários sobre possíveis progressos entre Washington e Teerã.
Geopolítica, negociações e riscos
O encontro em Genebra, previsto para 17 de fevereiro, é a segunda rodada entre EUA e Irã, mediada por Omã, e visa tratar do programa nuclear de Teerã. Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores do Irã se reuniu com o chefe da agência nuclear da ONU.
Os temores de interrupção no fornecimento devido às tensões entre os EUA e o Irã ajudaram a manter os preços estáveis, disse o analista da PVM, Tamas Varga, à Reuters, destacando que o mercado precifica o risco geopolítico.
Autoridades americanas, segundo reportagens, afirmam que os EUA se preparam para a possibilidade de uma campanha militar sustentada caso as negociações não avancem, e a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que, em caso de ataques ao território iraniano, poderia retaliar contra qualquer base militar americana.
Expectativas sobre oferta e posição da Opep+
Para conter uma alta mais acentuada nos preços, os países da Opep+ sinalizam retomar aumentos de produção a partir de abril, após uma pausa de três meses, com decisão esperada na reunião de 1º de março.
Analistas do SEB alertaram sobre cenários opostos, afirmando, “O aumento da tensão iraniana pode levar o Brent a US$ 80 por barril. O enfraquecimento da tensão faria com que ele caísse para US$ 60 por barril”, o que ilustra a sensibilidade dos mercados a desdobramentos políticos.
Fluxos comerciais e influência da Ásia
Enquanto isso, fontes de rastreamento de navios indicam que as importações chinesas de petróleo russo devem subir pelo terceiro mês consecutivo, alcançando um novo recorde em fevereiro, depois que a Índia reduziu compras sob pressão dos EUA.
Mercados da China, Coreia do Sul e Taiwan estão fechados por feriados do Ano Novo Lunar, o que tende a moderar a volatilidade neste início de semana, mas a atenção segue voltada para as negociações em Genebra e as decisões da Opep+ nas próximas semanas.