Prévia do PIB: IBC-Br do Banco Central cresce 0,7% em novembro, primeira alta em três meses, indústria puxa recuperação enquanto mercado prevê PIB de 2,26% em 2025

Expansão mensal de 0,7% na prévia do PIB, com indústria em alta e agropecuária em queda, IBC-Br acumula 1,3% nos 11 meses e juros em 15% pressionam atividade

A prévia do PIB, medida pelo IBC-Br do Banco Central, registrou crescimento de 0,7% em novembro na comparação com outubro, após ajuste sazonal, interrompendo duas quedas mensais consecutivas.

Essa foi a primeira alta em três meses, já que a última elevação havia sido registrada em agosto, com 0,4%, e na comparação anual a prévia teve alta de 1,2% em relação a novembro de 2024.

O indicador acumulado mostrou avanço de 1,3% nos 11 primeiros meses de 2024, e a expansão em 12 meses até novembro foi de 1,2%, conforme informação divulgada pelo g1.

Detalhes do resultado de novembro

O crescimento de novembro foi puxado pela indústria, com desempenho setorial mostrando sinais de recuperação, enquanto a agropecuária recuou.

Os dados do Banco Central apontam para as seguintes variações em novembro, sem ajuste sazonal: Agropecuária, -0,3%, Indústria, 0,8%, Serviços, 0,6%.

O cálculo do IBC-Br é feito após ajuste sazonal quando necessário, o que permite comparar meses consecutivos, e essa alta mensal indica uma leve retomada da atividade industrial.

Por que a alta não elimina perspectivas de desaceleração

A despeito do avanço de novembro, o cenário para 2025 continua de desaceleração em razão do elevado nível da taxa de juros, fixada pelo Banco Central em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos.

O Banco Central tem sinalizado que os juros permanecerão neste patamar por um “período bastante prolongado“, e avalia que uma desaceleração é necessária para controlar a inflação.

O mercado financeiro estima uma taxa de crescimento do PIB de 2,26% em 2025, contra 3,4% no ano anterior, refletindo a expectativa de ritmo menor de atividade econômica.

O que o Banco Central diz sobre o quadro conjuntural

Em comunicado, o BC afirmou que o hiato do produto segue positivo, o que indica que a economia opera acima do potencial e pode trazer pressões inflacionárias.

O Banco Central também declarou que a desaceleração do crescimento é um “elemento necessário para a convergência da inflação à meta [de inflação, de 3%]“, alinhando a estratégia de juros elevados à meta de preços.

Diferença entre IBC-Br e PIB oficial

O IBC-Br é considerado a “prévia do PIB“, mas tem metodologia diferente da do IBGE.

O indicador do BC incorpora estimativas para agropecuária, indústria, serviços e impostos, sem considerar o lado da demanda, que é incluído no cálculo do PIB pelo IBGE.

Por isso, o IBC-Br serve como uma ferramenta rápida para o BC avaliar a atividade e tomar decisões de política monetária, mas não substitui a medição oficial do PIB.

Em resumo, a prévia do PIB mostra uma recuperação pontual em novembro, com a indústria no comando, mas o cenário mais amplo segue condicionado à política de juros altos e à expectativa de menor crescimento em 2025.