Prévia do PIB: IBC-Br registra alta de 0,7% em novembro, indústria puxa a recuperação, e mercado projeta desaceleração do crescimento em 2025
Prévia do PIB mostra primeira alta em três meses, com agro em queda e serviços em leve avanço, enquanto juros em 15% ao ano pressionam expectativa de crescimento
O Índice de Atividade Econômica, conhecido como Prévia do PIB ou IBC-Br, teve avanço em novembro, após três meses de queda, sinalizando uma recuperação curta porém relevante para a leitura mensal da economia.
A alta foi puxada sobretudo pela indústria, enquanto a agropecuária recuou, e os serviços registraram crescimento moderado, em um contexto de juros elevados que devem frear o ritmo no médio prazo.
Nos parágrafos seguintes explicamos como o indicador foi calculado, o desempenho por setor e o que isso significa para as projeções do mercado e para a política monetária.
conforme informação divulgada pelo g1
Dados principais e leitura mensal
O Banco Central divulgou que o IBC-Br registrou expansão de 0,7% em novembro, na comparação com o mês anterior, cálculo feito após ajuste sazonal. Essa foi a primeira alta mensal do indicador em três meses, sendo a última registrada em agosto, quando o índice havia subido 0,4%.
Na comparação anual, na comparação com novembro de 2024, a chamada prévia do PIB do BC teve alta de 1,2% (sem ajuste sazonal). Em leituras mais amplas, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,3% na comparação com os 11 primeiros meses de 2024, e em 12 meses até novembro, a expansão foi de 1,2%.
Setores que puxaram o resultado
O desempenho setorial mostrou comportamento heterogêneo em novembro. Segundo os dados, os resultados foram: Agropecuária: -0,3%, Indústria: 0,8%, Serviços: 0,6%. A indústria foi o principal motor da alta mensal, enquanto a agropecuária teve contração.
Esses números indicam recuperação pontual da produção industrial e manutenção de atividade em serviços, sem, contudo, alterar a avaliação de que a economia tende a desacelerar diante do aperto monetário.
Juros, expectativas e impacto sobre o PIB
A desaceleração prevista para este ano já era esperada pelo mercado e pelo próprio Banco Central, por conta do elevado nível da taxa de juros. A taxa Selic está, atualmente, em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos, e a autoridade tem sinalizado que os juros devem ficar nesse nível por um período prolongado.
O BC tem dito que a desaceleração é um elemento necessário para levar a inflação à meta, e informou no comunicado do Copom que o “hiato do produto” segue positivo, indicando que a economia continua operando acima do seu potencial.
O mercado financeiro estima uma taxa de crescimento do PIB de 2,26% em 2025, contra 3,4% no ano passado. Analistas de bancos, conforme levantamentos do mercado, esperam cortes na taxa de juros apenas em 2026, o que contribui para a perspectiva de ritmo menor de atividade em 2025.
Diferenças entre IBC-Br e PIB oficial
O IBC-Br é usado como uma prévia do PIB, mas sua metodologia é diferente da do IBGE. O indicador do Banco Central incorpora estimativas para agropecuária, indústria, serviços e impostos, porém não considera o lado da demanda, que entra no cálculo do PIB do IBGE.
Por isso, o IBC-Br serve como uma ferramenta de avaliação rápida da atividade e é uma das referências que a autoridade monetária utiliza para decidir a taxa básica de juros, dado que um maior crescimento pode pressionar a inflação e influenciar decisões do Copom.
Em resumo, a prévia mostrou um alívio temporário com 0,7% em novembro, mas o cenário de juros altos e as projeções de redução do ritmo de crescimento sugerem que a economia deve desacelerar nos próximos trimestres.