Professor da USP Preso nos EUA Após Atirar Perto de Sinagoga: Governo Trump Aponta Antissemitismo, Polícia Local Discorda

Professor da USP detido pela imigração americana após incidente com arma de chumbinho perto de sinagoga em Massachusetts.

Carlos Portugal Gouvea, professor associado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e professor visitante na Faculdade de Direito de Harvard, foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro (ICE) dos Estados Unidos. A detenção ocorreu após o professor se declarar culpado por disparar uma arma de chumbinho perto de uma sinagoga em Brookline, Massachusetts.

O incidente aconteceu em outubro, na véspera do Yom Kippur, um dos dias mais sagrados para o judaísmo. Conforme divulgado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) nesta quinta-feira (5), o visto temporário de Gouvea foi revogado pelo Departamento de Estado dos EUA, levando à sua prisão.

A detenção e o caso ganharam repercussão internacional, especialmente devido à declaração do governo do presidente Donald Trump, que classificou o ato como um **“incidente antissemita”**. Essa caracterização, no entanto, diverge da avaliação das autoridades locais, incluindo a polícia da cidade onde o ocorrido teve lugar e a própria sinagoga afetada.

Versões Divergentes Sobre a Motivação do Ato

A polícia de Brookline, que investigou o caso, **nega a motivação antissemita** para o disparo da arma de chumbinho. Segundo o boletim de ocorrência, Carlos Portugal Gouvea teria afirmado que utilizava a arma de pressão para **caçar ratos** nas proximidades. A sinagoga Temple Beth Zion também informou a seus membros que o incidente não parecia ter motivação religiosa, pois Gouvea teria alegado **desconhecer a proximidade da sinagoga** ou a data do feriado judaico.

Acordo Judicial e Saída do País

No mês passado, Gouvea concordou em se declarar culpado por disparar ilegalmente a arma de pressão. Como parte de um acordo judicial, ele cumprirá **seis meses de liberdade condicional pré-julgamento**. Outras acusações, como perturbação da ordem, conduta desordeira e dano à propriedade, foram retiradas. O DHS informou que o professor concordou em **deixar o país**. Gouvea não foi localizado para comentar o caso, e a Universidade Harvard preferiu não se manifestar.

Contexto Político e Tensões em Harvard

A prisão de Carlos Portugal Gouvea ocorre em um **momento de alta tensão** entre o governo Trump e a Universidade Harvard. A administração federal tem pressionado a instituição a tomar medidas mais eficazes contra o antissemitismo no campus. Harvard, por sua vez, chegou a processar o governo por algumas das ações adotadas contra ela, gerando um embate judicial significativo.