Professor da USP, Carlos Portugal Gouvêa, é preso nos EUA após incidente com arma de pressão perto de sinagoga em Massachusetts e tem visto temporário revogado.
Carlos Portugal Gouvêa, professor associado da Faculdade de Direito da USP e com passagem por Harvard, foi detido por autoridades de imigração dos Estados Unidos nesta semana. A prisão ocorreu após o Departamento de Estado americano revogar seu visto temporário de não imigrante.
O caso ganhou repercussão após Gouvêa ser acusado de disparar uma arma de pressão do lado de fora de uma sinagoga em Massachusetts, na véspera do Yom Kippur, em setembro. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, ele disparou o objeto próximo ao templo judaico.
Conforme informação divulgada pelo G1, a prisão do docente levanta questões sobre seu status imigratório e as circunstâncias do incidente. A situação se desenrola em um contexto de tensões entre o governo americano e a universidade de Harvard, que enfrentou acusações de não combater o antissemitismo em seu campus.
Carreira Acadêmica e Jurídica de Destaque
Carlos Portugal Gouvêa possui uma **notável carreira acadêmica e jurídica**. Ele é livre-docente e professor associado de Direito Comercial na USP. Sua trajetória inclui passagens por instituições de renome mundial.
Gouvêa é doutor pela **Harvard Law School**, realizou pesquisas na **Yale Law School** e na **Wharton School**. Em 2024, ele retornou a Harvard como professor visitante, aprofundando sua atuação internacional.
Além da vida acadêmica, o professor é sócio-fundador do PGLaw, um escritório focado em governança corporativa e direitos humanos. Ele também é membro da OAB e da New York State Bar Association, demonstrando sua atuação em múltiplas jurisdições.
O Incidente e a Revogação do Visto
A prisão de Gouvêa pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) ocorreu na quarta-feira (3). A revogação de seu visto temporário de não imigrante foi o gatilho para a detenção.
O incidente que levou à revogação do visto aconteceu em 1º de outubro. A polícia de Brookline, Massachusetts, atendeu a um chamado sobre uma pessoa armada perto da Temple Beth Zion, na véspera do Yom Kippur, um dos dias mais sagrados do judaísmo.
Em depoimento, Gouvêa teria afirmado que utilizava a arma de pressão para **caçar ratos**. A sinagoga e a polícia de Brookline informaram que o professor declarou não ter conhecimento de que estava próximo a uma sinagoga, nem que se tratava de um feriado religioso. Nem a comunidade judaica nem as autoridades atribuíram motivação religiosa ao ato.
Acordo Judicial e Liberdade Condicional
No mês passado, Carlos Portugal Gouvêa fechou um **acordo para resolver a acusação** de disparo ilegal da arma de pressão. Pelo acordo, ele cumprirá seis meses de liberdade condicional antes do julgamento.
Como parte do acordo, Gouvêa também pagará uma indenização de US$ 386,59. Outras acusações, como perturbação da paz, conduta desordeira e vandalismo, foram retiradas do processo.
Apesar da resolução do caso criminal local, a revogação do visto e a subsequente prisão pela imigração americana indicam que as autoridades de imigração consideraram o incidente grave o suficiente para impactar sua permanência nos Estados Unidos.