Relatório aponta que o Programa DOGE afastou quase 7% do funcionalismo civil dos EUA com licenças pagas, criando disputas legais, lacunas de responsabilização e críticas sobre o uso de recursos
Nos primeiros meses da segunda gestão Trump, um departamento criado para buscar eficiência gerou um custo elevado ao governo.
O mecanismo utilizado foi o afastamento massivo de servidores por meio de licenças pagas, enquanto suas funções permaneciam sem atendimento integral.
A Peer informou que, durante 2025, “mais de 154 mil funcionários federais foram colocados em licença remunerada”, e que isso “custou 10 bilhões de dólares”, atingindo “quase 7% do funcionalismo civil do país”, conforme informação divulgada pelo g1.
Como o Programa DOGE gerou despesas inesperadas
O Departamento de Eficiência Governamental, conhecido pela sigla DOGE, foi apresentado como uma iniciativa para cortar gastos, entretanto, a prática de colocar servidores em licença remunerada reverteu esse objetivo.
Segundo o levantamento da organização de funcionários públicos Peer, sigla em inglês para Public Employees for Environmental Responsibility, o afastamento em massa manteve o pagamento de salários mesmo com muitos servidores sem trabalhar.
Para críticos, a conta saiu cara, e a cifra destacada no relatório, US$ 10 bilhões, virou argumento central nas críticas ao programa.
Questões legais e o limite da Lei de Licença Administrativa
A análise aponta que a prática pode ter burlado regras existentes sobre afastamentos, em especial a Lei de Licença Administrativa, que limita o afastamento remunerado a até dez dias úteis por ano, com exceções restritas.
A organização afirma que o governo criou novas categorias de licença para contornar esse limite, e especialistas descrevem o resultado como um “vácuo de responsabilização”.
“Gastar mais de US$ 10 bilhões do dinheiro do contribuinte para impedir pessoas de trabalhar é uma forma absurda de administrar o governo”, afirmou Peter Jenkins, assessor jurídico da Peer, para o The Guardian.
Impacto em serviços essenciais e impasses jurídicos
Entre os afastados estão servidores do Serviço Nacional de Parques e da Agência de Proteção Ambiental, incluindo equipes que atuam com justiça ambiental, segundo o levantamento.
A Peer diz que esses funcionários enfrentam hoje um impasse jurídico, enquanto a falta de pessoal prejudica operações em órgãos considerados essenciais.
A entidade apresentou uma denúncia ao órgão responsável por fiscalizar gastos públicos do governo federal, mas a abertura de processos e punições depende de autoridades ligadas ao próprio governo.
Por que a responsabilização é difícil e o que especialistas apontam
Pesquisadores ouvidos pelo relatório afirmam que uma combinação de regras complexas, falhas na regulamentação da lei e mudanças administrativas tornou difícil apurar responsabilidades de forma eficaz.
“Há estratégias que tornam extremamente difícil levar o caso aos tribunais ou a órgãos de controle, e isso explica por que a política avançou”, afirmou Madeline Materna, pesquisadora da Universidade Stanford.
Com investigação em andamento, permanece a incerteza sobre eventuais punições e sobre como reformular mecanismos para que um programa voltado à eficiência não gere, na prática, gastos adicionais e perda de prestação de serviços.