A presença de agentes do ICE nas Olimpíadas de Inverno gerou resistência em praça histórica de Milão, com manifestantes denunciando abusos e questionando participação externa na segurança
Centenas de pessoas se reuniram na Piazza XXV Aprile, em Milão, para protestar contra a vinda de agentes do ICE durante os Jogos Olímpicos de Inverno, que começam em 6 de fevereiro.
O protesto reuniu membros do Partido Democrático, da confederação sindical CGIL e da ANPI, além de moradores e ativistas que afirmaram preocupação com práticas de imigração e com o que descrevem como uma ascensão de ideias autoritárias nos Estados Unidos.
Conforme informação divulgada pelo g1, os agentes selecionados devem atuar a partir de uma sala de controle, sem patrulhar as ruas, mas isso não impediu a mobilização na praça que celebra a libertação do fascismo em 1945.
Por que as pessoas protestam
Os manifestantes disseram que a ação não é apenas contra a presença física dos agentes do ICE, é também uma reação a cenas de repressão nos EUA que circularam internacionalmente.
Faixas e cartazes expressavam mensagens como, traduzidas para o português, “Não, obrigada. De Minnesota para o mundo, ao lado de todos que lutam pelos direitos humanos” e “‘Nunca mais’ significa ‘nunca mais’ para qualquer pessoa”.
Havia também palavras de ordem irônicas, como a placa que dizia «ICE só no Spritz», e placas mais duras, como “ICE = Gestapo“, que refletiam o sentimento de repúdio de parte dos presentes.
Qual será a função dos agentes do ICE enviados
Segundo relatos divulgados, a unidade designada é ligada à Homeland Security Investigations, ou HSI, que trabalha com crimes transfronteiriços e frequentemente apoia eventos internacionais com atividades de investigação.
Autoridades informaram que os agentes ficarão alocados em uma sala de controle, sem atuar de forma ostensiva nas ruas, e que não se trata da unidade ERO, ligada à aplicação direta das políticas de imigração nos EUA.
Apesar dessa distinção técnica, moradores e ativistas argumentaram que a simples presença de membros de agências americanas em missão de segurança é inaceitável.
Repercussão política e declarações locais
A notícia do envio dos agentes provocou reação entre autoridades italianas, com o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmando que eles não são bem-vindos.
O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, foi convocado ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre a decisão, o que elevou o debate sobre soberania e coordenação internacional em eventos de grande porte.
Participantes do protesto, como Silvana Grassi, disseram estar profundamente perturbados por cenas vistas em outras cidades americanas, e Paolo Bortoletto ressaltou que, mesmo sabendo que a função seria investigativa, “não os queremos em nosso país”.
Contexto e possíveis desdobramentos
Especialistas e ativistas devem acompanhar como será a atuação da HSI durante os jogos e se haverá novas manifestações enquanto o evento estiver em andamento.
O episódio em Milão coloca em evidência a tensão entre a necessidade de cooperação internacional em segurança e o receio local de normalizar práticas que muitos associam a violações de direitos.
O debate deve prosseguir nos próximos dias em fóruns políticos e na cobertura da imprensa, com atenção para eventuais explicações adicionais do governo italiano e a atuação real dos agentes no perímetro olímpico.