Protestos contra ICE se espalham pelos EUA após mortes de civis, milhares nas ruas, com comércios fechando, estudantes nas ruas e investigação federal em curso

Protestos contra ICE, convocados após as mortes de civis, reuniram multidões em cidades de costa a costa, com lojas fechadas, estudantes participando e questionamentos sobre o uso da força federal

Milhares de manifestantes lotaram as ruas de diversas cidades dos Estados Unidos nesta sexta-feira, em atos que ganharam dimensão nacional e levaram comércios a fechar em solidariedade.

Os protestos foram motivados pelas mortes de civis atingidos por operações do ICE, e reuniram pessoas de diferentes idades e perfis, incluindo estudantes que deixaram as aulas para se juntar às mobilizações.

Houve forte presença policial, com agentes mascarados acompanhando as manifestações, e clima de tensão em cidades de várias regiões do país, conforme informação divulgada pelo g1.

Onde e como os atos ocorreram

Os protestos ocorreram desde o estado de Washington, no extremo oeste, até a Nova Inglaterra, no lado oposto do país, em atos que foram registrados em múltiplas cidades. Entre as localidades citadas estão, exatamente, Minneapolis;Los Angeles;Houston;Nova York;Atlanta;Portland;Detroit.

Em algumas regiões, como no Arizona, escolas anteciparam o cancelamento das aulas, prevendo ausência em massa de alunos. Em outras, comércios e restaurantes fecharam as portas em solidariedade aos manifestantes.

Os manifestantes marcharam mesmo em condições adversas, com registro de temperatura de -17°C em locais onde as mobilizações seguiram, e empunharam cartazes críticos ao presidente Donald Trump e ao ICE.

Motivações, mortes e investigação federal

A indignação que alimentou os protestos se intensificou após as mortes de dois manifestantes americanos, uma delas de Alex Pretti, enfermeiro que, segundo relatos, foi atingido por dez tiros por agentes do ICE em 24 de janeiro.

Antes de Alex Pretti, Renee Good, mãe de 37 anos, foi morta em 7 de janeiro por um agente do ICE. O Departamento de Justiça dos EUA anunciou a abertura de uma nova investigação sobre a morte de Alex Pretti, focando na violação de seus direitos fundamentais, e afirmou que se trata de um procedimento padrão.

No episódio que antecedeu a morte, o presidente Donald Trump rotulou Alex Pretti de “encrenqueiro”, e em seguida criticou os manifestantes, chamando-os de “insurgentes” e de “agitadores financiados por rebeldes profissionais” em publicações nas redes sociais. O enviado Tom Homan também disse que Trump pretende “prosseguir com a deportação em massa”.

Prisão de jornalistas e reações políticas

No contexto das manifestações, houve prisões de jornalistas cobrindo os atos, incluindo o ex-âncora Don Lemon. A procuradora-geral Pam Bondi afirmou no X que supervisionou “pessoalmente” a prisão de Lemon, que foi indiciado por obstrução da liberdade religiosa por cobrir um protesto em uma igreja em Minnesota, segundo o Departamento de Segurança Interna.

Outras pessoas, entre elas um jornalista freelancer, também foram detidas e liberadas posteriormente, embora Don Lemon deva responder em tribunal em Minneapolis no início de fevereiro. Em resposta, Lemon afirmou, “Não vou parar agora”, e defendeu a importância de uma mídia livre e independente.

Organizações de imprensa reagiram, com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, CPJ, condenando o que classificou como um “ataque flagrante” à imprensa, e lideranças políticas, como o governador da Califórnia Gavin Newsom, criticaram a postura do governo federal em tom irônico.

Vozes das ruas e desdobramentos

Entre os manifestantes, houve relatos de indignação pessoal, como da engenheira Sushma Santhana, que disse, “Eu moro aqui (…) e não acho que nosso governo deva nos aterrorizar dessa forma”. Outra participante, identificada como Connie, declarou, “Estamos tentando expulsá-los daqui”, referindo-se aos agentes anti-imigração.

Em Minneapolis, o artista Bruce Springsteen subiu ao palco para cantar em homenagem às vítimas, apresentando uma canção composta após a morte de Alex Pretti. Enquanto isso, o país segue dividido entre pedidos de apuração rigorosa e a defesa de ações enérgicas do governo na política de imigração.

As investigações e os desdobramentos judiciais, incluindo apurações do Departamento de Justiça, prometem manter o tema na agenda pública, e as cidades onde ocorreram os protestos devem continuar sob monitoramento nas próximas semanas.