Protestos contra o ICE e Trump mobilizam milhares nos EUA após mortes de civis, com comércios fechando, estudantes nas ruas e investigações sobre Alex Pretti e Renee Good
Manifestações em cidades do oeste ao leste exigem fim das operações do ICE e responsabilização, enquanto jornalistas são detidos e autoridades anunciam apurações federais
Milhares de pessoas voltaram às ruas dos Estados Unidos em novos episódios de protesto contra o ICE e as políticas do governo Trump.
As manifestações ganharam escala depois da morte de civis em ações da agência federal, levando comércios a fechar e estudantes a deixarem as escolas para se juntar aos atos.
Os protestos ocorreram em cidades como Minneapolis, Los Angeles, Houston, Nova York, Atlanta, Portland e Detroit, conforme informação divulgada pelo g1
O que detonou os protestos
O movimento foi reacendido após duas mortes de civis vinculadas a ações do ICE, a primeira, de Renee Good, em 7 de janeiro, e a segunda, do enfermeiro Alex Pretti, em 24 de janeiro.
Segundo relatos, o caso de Alex Pretti teve ampla repercussão depois de um vídeo que mostra uma briga entre agentes e o manifestante dias antes de sua morte, e o presidente Donald Trump chegou a rotulá-lo de “encrenqueiro”.
Em várias cidades os protestantes ocuparam ruas mesmo sob frio intenso, com registros de até -17°C em alguns locais, e comerciantes fecharam em solidariedade aos atos.
Reações e declarações de autoridades
O presidente Trump condenou os atos dos manifestantes e classificou alguns como “insurgentes” e “agitadores financiados por rebeldes profissionais”, enquanto seu enviado Tom Homan afirmou à Fox News que o governo pretende “prosseguir com a deportação em massa”.
Ao mesmo tempo, a Casa Branca chegou a sinalizar alguma redução das operações em Minneapolis, com menção a esforços de desescalada, mas críticas e confrontos continuaram nas ruas.
Prisões de jornalistas e reação da imprensa
No contexto das coberturas, houve detenção de dois jornalistas, entre eles o ex-âncora da CNN Don Lemon, que segundo autoridades enfrenta processo por obstrução da liberdade religiosa relacionado a um protesto em uma igreja em Minnesota.
A procuradora-geral Pam Bondi afirmou ter supervisionado “pessoalmente” a prisão de Lemon, episódio que motivou críticas de organizações de mídia e do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, que classificou o episódio como um “ataque flagrante” à imprensa.
Fontes indicam que outros repórteres, inclusive um freelancer, foram presos e posteriormente liberados, embora processos e audiências estejam previstos.
Investigações e o cenário à frente
O Departamento de Justiça anunciou a abertura de nova investigação sobre a morte de Alex Pretti, com foco em possível violação de direitos fundamentais, procedimento que foi descrito como padronizado por autoridades.
Enquanto isso, mobilizações continuam de costa a costa, com manifestações organizadas em grandes centros urbanos e líderes locais, artistas e cidadãos participando de atos em homenagem às vítimas.
Em Minneapolis, o cantor Bruce Springsteen subiu ao palco para interpretar uma canção em homenagem a Alex Pretti, gesto que simbolizou a amplificação cultural da causa e manteve vivo o debate público sobre as práticas do ICE.
O país segue dividido entre quem pede maior repressão às migrações e quem exige reforma das operações federais e responsabilização pelos episódios que resultaram em mortes, com investigações em curso e audiências marcadas nas próximas semanas.