Protestos contra o ICE mobilizam mais de 300 atos em todos os 50 estados, reação a mortes em operações e disputa por financiamento federal
Organizado pelo movimento ‘ICE Fora de Todos os Lugares’, protestos em mais de 300 locais cobrem todos os 50 estados e Washington, exigindo mudanças imediatas
Nos próximos dias, cidades em todo o país devem registrar uma onda de manifestações contra o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos, o ICE.
Os atos, planejados para ocorrer junto a centros de detenção, escritórios do ICE e aeroportos, reúnem grupos que pedem o fim das operações que, segundo ativistas, usam força excessiva.
As ações vêm após mortes envolvendo agentes federais, e ganham força nacional, conforme informação divulgada pelo g1
Escala e organização dos protestos
A imprensa internacional aponta que são previstos mais de 300 eventos em todos os 50 estados e em Washington DC, em manifestações organizadas pelo grupo 50501 contra as práticas do ICE.
Os organizadores definem a mobilização como o movimento ICE Fora de Todos os Lugares, e indicam que protestos ocorrerão nos arredores de centros de detenção, escritórios do ICE, sedes de governos locais e aeroportos.
Em aeroportos, manifestantes planejam criticar empresas aéreas que colaboram no transporte de pessoas deportadas, em uma ação que mistura pressões públicas e visibilidade midiática.
Casos que motivaram a onda de protestos
Os atos foram impulsionados por mortes recentes em operações do ICE, incluindo o caso do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, baleado durante a Operação Metro Surge, que deslocou 3 mil homens à área metropolitana de Minneapolis.
Segundo relato das fontes, a morte de Renee Good e de Pretti provocou revolta ampla, e o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação de direitos civis sobre o caso.
Organizadores também citam a morte de Geraldo Campos em um centro de detenção no Texas, e o disparo contra Keith Porter Jr. por um agente do ICE de folga em Los Angeles, como parte de um padrão de uso excessivo de força.
Impacto político e impasse orçamentário
No Congresso, o financiamento do ICE se transformou em ponto de atrito, com senadores democratas buscando bloquear recursos ao Departamento de Segurança Interna até que reformas sejam aprovadas.
O impasse orçamentário levou a negociações para manter o funcionamento parcial do governo, e enquanto propostas separadas são debatidas, os EUA enfrentam a perspectiva de uma paralisação parcial do governo, segundo as fontes.
Críticos afirmam que a pressão nas ruas aumenta o custo político para o governo, ao mesmo tempo em que amplia o debate sobre responsabilidade, transparência e uso da força em operações migratórias.
Repercussão pública e internacional
Em Minneapolis, milhares de pessoas foram às ruas em temperaturas baixas, com cartazes pedindo “ICE fora agora” e exigindo responsabilização política, inclusive pedidos de impeachment contra o presidente.
Figuras públicas se envolveram nas ações, e casos de cobertura jornalística também ganharam destaque, com autoridades federais apresentando acusações em alguns episódios, entre eles a denúncia contra o ex-âncora Don Lemon por supostas violações de direitos civis após cobertura de protestos.
Houve ainda manifestações fora dos EUA, como em Milão, na Itália, onde houve oposição ao envio de agentes do ICE para atuar na segurança de eventos internacionais, o que mostra a dimensão transnacional do debate sobre o papel da agência.
Enquanto isso, ativistas e legisladores seguem pressionando por investigações completas e por mudanças nas práticas do ICE, em uma combinação de mobilização social e disputas institucionais que deve definir o ritmo das próximas semanas.