Fim de semana terá protestos contra o ICE em aeroportos, centros de detenção e sedes governamentais, movimento ‘ICE Fora de Todos os Lugares’ reúne manifestantes
O país se prepara para um fim de semana com intensa mobilização, com centenas de manifestações contra a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE. Organizações e ativistas planejaram atos em frente a prisões, escritórios do governo e aeroportos, em cidades pequenas e grandes, em todos os 50 estados e em Washington, D.C.
Os organizadores dizem que a onda de manifestações, batizada de “ICE Fora de Todos os Lugares”, é resposta a casos recentes em que civis morreram em operações federais e a práticas que críticos classificam como uso excessivo da força e militarização da fiscalização migratória.
Segundo relatos, estão previstos mais de 300 eventos distribuídos pelo país, com ações que vão de protestos pacíficos a bloqueios simbólicos, inclusive com atos em aeroportos contra companhias aéreas que transportam pessoas deportadas, conforme informação divulgada pelo g1
O que motivou os protestos
Os protestos contra o ICE ganharam força após uma série de incidentes fatais. Em Minneapolis, a morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, atingiu o centro das manifestações. Pretti foi baleado durante a chamada Operação Metro Surge, que mobilizou cerca de 3 mil homens na região metropolitana, e o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação de direitos civis sobre o caso.
Outros nomes citados pelos organizadores incluem Renee Good, morta em um confronto envolvendo agentes do ICE, Geraldo Campos, que morreu em um centro de detenção no Texas, e Keith Porter Jr., baleado por um agente do ICE que estava de folga em Los Angeles. Ativistas dizem que esses casos revelam um padrão de atuação que precisa ser reformado.
Locais e táticas das manifestações
As ações anunciadas pelo grupo 50501 devem ocorrer em torno de centros de detenção, escritórios do ICE e sedes de governos locais, e incluem concentrações em aeroportos para pressionar companhias aéreas. Em Minneapolis, já houve grandes protestos com milhares de pessoas nas ruas, cartazes pedindo o fechamento do ICE e pedidos de impeachment do presidente.
Os organizadores prometem atos simultâneos em cidades de todos os estados, com estratégia de visibilidade para chamar atenção da mídia e dos legisladores, e para manter a pressão sobre autoridades federais e locais.
Reação política e investigações em curso
Os protestos ocorrem enquanto o tema provoca um impasse no Congresso. Senadores democratas tentam bloquear o financiamento do ICE até que reformas sejam aprovadas, numa disputa que já contribuiu para uma paralisação parcial do governo, e a votação de propostas separadas está prevista para ser analisada nos próximos dias.
Além das investigações do Departamento de Justiça sobre incidentes específicos, o governo também indiciou figuras públicas em casos relacionados a protestos. Entre eles está o ex-âncora Don Lemon, indiciado por violações de direitos civis após cobertura de uma manifestação, conforme reportado pelas fontes originais.
Impacto local e repercussão
Nas cidades, a presença de manifestantes varia de grandes concentrações a atos menores, mas a mobilização já provocou debates públicos amplos. Em Minneapolis, por exemplo, artistas e cidadãos se uniram a atos solidários, e houve preocupação com a segurança e a resposta das autoridades locais e federais.
Os organizadores afirmam que as manifestações visam tanto denunciar casos específicos, quanto exigir mudanças estruturais nas práticas do ICE. Analistas avaliam que a continuidade das ações pode manter o tema em destaque e influenciar decisões no Congresso e em tribunais, ao mesmo tempo em que gera pressão pública sobre autoridades responsáveis pela política migratória.