Protestos no Irã: polícia diz entender reivindicações econômicas, não tolerará ‘caos’, e tensão sobe após Trump afirmar que EUA estão ‘prontos para agir’

Crise econômica e aumento dos preços provocaram protestos em várias cidades, governo abre canal de diálogo, e trapalhações diplomáticas elevam risco de escalada

Protestos no Irã começaram com comerciantes reclamando da forte desvalorização da moeda e do aumento dos preços, e se transformaram nos maiores atos dos últimos três anos.

Em meio a confrontos e relatos de violência, autoridades afirmam reconhecer as demandas sociais, ao mesmo tempo em que deixam claro que não aceitarão desordem nas ruas.

Os fatos reunidos e divulgados pelas agências e veículos de notícia mostram mortes, respostas oficiais e forte reação estrangeira, conforme informação divulgada pelo g1

O que disse a polícia

A polícia iraniana, em comunicado citado pela agência Isna, afirmou que entende as reivindicações, qualificando os atos como de “caráter puramente econômico e cívico” e expressão da vontade do povo de melhorar suas condições de vida.

O porta-voz da corporação, Said Montazeralmahdi, declarou que “a polícia diferencia claramente as demandas legítimas da população e as ações destrutivas […] e não permitirá que nenhum inimigo transforme os protestos em caos”.

As falas da polícia combinam um reconhecimento público das queixas sociais com uma advertência firme contra qualquer tentativa de desestabilização.

Pressão internacional e resposta de Trump

A tensão internacional aumentou depois que o ex-presidente dos EUA Donald Trump publicou na rede Truth Social que os Estados Unidos podem intervir se o governo iraniano usar violência letal contra manifestantes.

Na postagem, Trump afirmou que os EUA estão “prontos para agir” caso pessoas que protestam de forma pacífica sejam mortas, observação que elevou o tom diplomático na região.

Em reação, o chefe do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que as bases e tropas dos EUA no Oriente Médio são “alvos legítimos” de ataques do Irã se Washington realmente intervir na resposta aos protestos, segundo relatos oficiais.

Contexto interno e números

Os atos começaram no domingo, dia 28, com comerciantes que protestaram contra a desvalorização da moeda e a alta de preços, e rapidamente receberam adesão de estudantes e outros setores.

As manifestações ganharam força nos dias seguintes, e autoridades confirmaram a morte de sete pessoas em episódios de violência durante a onda de protestos, número que acendeu alertas sobre a escalada do conflito.

O governo do presidente Masoud Pezeshkian informou que abriu um canal de diálogo com representantes da sociedade para ouvir as reivindicações e tentar reduzir as tensões.

A porta-voz do governo afirmou, em declaração oficial, “Reconhecemos oficialmente os protestos. Ouvimos essas vozes e sabemos que isso tem origem na pressão natural provocada pelas dificuldades no sustento da população”.

Riscos e desdobramentos

Analistas apontam que a combinação entre crise econômica, insatisfação social e confronto retórico entre Teerã e Washington aumenta o risco de escalada, com possibilidade de repressão mais dura ou incidentes que envolvam forças estrangeiras.

Fontes locais e internacionais seguem monitorando as ruas, enquanto o país tenta conciliar a necessidade de responder às demandas econômicas com o imperativo de manter a ordem pública.

As próximas horas serão fundamentais para entender se o diálogo aberto pelo governo conseguirá reduzir os protestos e evitar nova violência, ou se medidas de força e repercussões externas levarão a uma nova fase de tensão.