Quatro mudanças na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro: libertações em massa, fim da estatização do petróleo, queda do dólar e aproximação com os EUA

As quatro grandes mudanças na Venezuela provocadas pela captura de Maduro e a resposta de Caracas, Washington e da sociedade civil

Caracas amanheceu diferente depois da operação que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro de 2026, e as decisões tomadas desde então têm transformado o cenário político e econômico do país.

Em poucas semanas, medidas que pareciam impensáveis foram anunciadas, entre elas libertações em massa, uma reforma para atrair investimento petrolífero, intervenções no câmbio e o início de uma negociação acelerada com os Estados Unidos.

Os efeitos já se manifestam no dia a dia dos venezuelanos e provocam debates sobre soberania, legalidade e futuro democrático, conforme informação divulgada pelo g1.

Libertações, anistia e alterações no sistema de detenção

Logo após a operação que levou à captura de Maduro, o governo de Delcy Rodríguez ordenou a libertação de opositores, líderes sindicais, defensores dos direitos humanos, jornalistas e manifestantes que vinham sendo detidos há meses.

As autoridades afirmaram que mais de 600 pessoas deixaram suas celas, mas o grupo Fórum Penal Venezuelano confirmou, entre os mais de 600 “presos políticos” contabilizados, 344 libertações, segundo reportagem citada pelo g1, baseada em dados da BBC.

A presidente em exercício anunciou também que pretende promover uma “lei de anistia geral, que cobrirá todo o período de violência política de 1999 até o presente“, proposta apresentada como um gesto para “consolidar a paz da República e a convivência pacífica”.

Além disso, Delcy Rodríguez declarou a intenção de fechar o centro de detenção Helicoide, apontado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos e por missões da ONU como um local de abusos, o que marca uma mudança de discurso e prática em relação às políticas anteriores do chavismo.

Fim parcial da estatização do setor petrolífero

Uma das medidas mais sensíveis foi a revisão da legislação do setor, com a reforma da Lei de Hidrocarbonetos, que abriu espaço para maior participação privada e para negociações com empresas estrangeiras.

Poucas horas após a operação em 3 de janeiro, o então presidente americano Donald Trump afirmou que Caracas aceitou fornecer aos Estados Unidos até 50 milhões de barris de petróleo, para venda a preços “de mercado”, informação reproduzida por veículos internacionais e citada pelo g1.

Autoridades venezuelanas confirmaram que a estatal Pdvsa “está em negociações com os Estados Unidos para a venda de volumes de petróleo”, e Jorge Rodríguez disse que “essas imensas reservas de petróleo [da Venezuela] precisam ser extraídas para transformá-las em escolas e hospitais, Debaixo da terra, elas não servem para ninguém”, segundo trecho citado em reportagem.

Críticos chavistas reagiram com severidade, e o ex-ministro Andrés Izarra escreveu, sobre a mudança, “No dia 29 de janeiro de 2026, a Venezuela deixou de ser dona do seu petróleo, não importa como se veja”, frase também registrada pela cobertura citada.

Oscilações do câmbio, injeção de recursos e impacto na inflação

A incerteza inicial após a captura de Maduro afetou fortemente a moeda local. Em janeiro, o bolívar perdeu quase 22% de seu valor no câmbio oficial, com “um dólar passando de 301,37 para 367,30 bolívares”, segundo dados do Banco Central da Venezuela citados pelo g1.

No mercado paralelo, o dólar chegou a ser cotado a mais de 800 bolívares após o ataque, para depois cair para pouco mais de Bs. 400, em movimentos que refletem a escassez de oferta de divisas e a alta volatilidade.

As autoridades informaram ter injetado US$ 300 milhões no mercado de câmbio, recursos provenientes da venda de petróleo, medida que ajudou a reduzir a diferença entre as cotações, segundo a reportagem.

Apesar da aparente estabilização cambial, a população segue sentindo alta de preços, e projeções do Fundo Monetário Internacional indicam que “a inflação na Venezuela fechou 2025 em 548%“, conforme dados divulgados e citados pela cobertura do g1.

Da insurreição à negociação, mudança estratégica no governo

No final de 2025, Maduro havia alertado que uma eventual ofensiva dos Estados Unidos seria respondida com “greve geral, insurrecional e revolucionária da classe operária”, mas essas previsões não se concretizaram após sua captura.

O governo de Delcy Rodríguez optou pela reabertura do canal diplomático com Washington, com a visita da diplomata americana Laura F. Dogu a Caracas para reabrir a embaixada, após quase sete anos de rompimento, e a presença do diretor da CIA, John Ratcliffe, registrada na agenda internacional.

Delcy tem afirmado que a aproximação com os Estados Unidos visa “agilizar a libertação de Nicolás Maduro” e “abordar as consequências da agressão e do sequestro do presidente da República e da primeira-dama”, declaração também citada nas reportagens.

Críticos dentro do chavismo falam em “ocupação” e em tutela, e analistas apontam que o atual projeto busca uma estabilização autoritária, com abertura econômica mais rápida do que mudanças políticas, cenário que cria tensões internas e incertezas sobre uma transição democrática.

As quatro mudanças observadas, libertações e anistia, reforma do setor petrolífero, intervenções no câmbio e a virada da estratégia do governo em relação aos Estados Unidos, formam um conjunto que está remodelando a Venezuela de forma acelerada, e que continuará a ser monitorado pela comunidade internacional e pela sociedade civil, conforme reportagens citadas pelo g1.