O recuo recente ocorreu diante de tensões comerciais, vendas em mercados de títulos e especulações sobre intervenções, levando investidores a buscar alternativas de menor risco
O dólar enfraqueceu de forma acelerada nas últimas semanas, em um movimento que chama atenção por seu ritmo e por sinais de que pode continuar.
Esse cenário já tem efeitos práticos, como perda do poder de compra para quem viaja e pressão sobre preços de bens importados nos Estados Unidos.
As informações a seguir sintetizam as causas apontadas por analistas e dados divulgados sobre a queda, conforme informação divulgada pelo g1
O que aconteceu com a moeda
Nas últimas semanas, o dólar caiu para o seu ponto mais baixo dos últimos quatro anos em relação a uma cesta de moedas, e também atingiu níveis baixos frente ao euro e à libra, caindo 3% em cerca de uma semana, segundo reportagens internacionais.
No ano passado, o movimento já havia sido expressivo, com o índice do dólar, que acompanha seu valor frente a várias moedas, tendo caído em quase 10%, o que foi o pior desempenho desde 2017, segundo dados levantados por analistas.
Por que o dólar está caindo
Analistas relacionam a queda, em parte, às incertezas sobre políticas do governo americano, especialmente após anúncios sobre tarifas de importação e disputas comerciais, que abalaram a confiança dos mercados.
Robin Brooks afirmou, em comentário reproduzido pela imprensa, que, “Na minha opinião, os mercados estão reagindo à natureza meio que irregular das políticas deste governo, as escaladas e atenuações“, destacando que as idas e vindas políticas pesam sobre a moeda.
Outros fatores incluem aumento de oportunidades de investimento fora dos Estados Unidos e movimentos no mercado japonês de títulos, que levaram traders a ajustar posições entre iene e dólar.
Impactos econômicos e riscos para os consumidores
Um dólar mais fraco reduz o poder de compra dos americanos, com reflexo direto em viagens e em bens importados, e existe o risco de que essa tendência, se persistir, alimente a inflação interna nos Estados Unidos ao elevar preços de produtos importados.
Para empresas exportadoras brasileiras e detentores de ativos em outras moedas, a mudança na cotação pode trazer ganhos, mas especialistas alertam que uma desvalorização motivada por sinais de políticas ruins pode ser sinal de problemas macroeconômicos.
Para onde vai o dinheiro e sinais dos mercados
A saída de investidores do mercado do dólar ajudou a empurrar o preço do ouro para cima, com o metal tendo dobrado no ano passado em valor, enquanto moedas como o euro e a libra avançaram em relação ao dólar em janeiro.
Alguns fundos internacionais começaram a reduzir posições em títulos do Tesouro dos EUA, mas o movimento ainda é seletivo, e o mercado ações dos Estados Unidos segue em níveis elevados, o que limita uma fuga completa de ativos americanos.
Perspectivas e papel do governo e do Fed
Parte da trajetória futura do câmbio dependerá do comportamento da economia americana e da política de juros do Federal Reserve. Se o Fed reduzir taxas, a moeda pode enfraquecer ainda mais, com investidores buscando retornos mais altos em outros países.
Alguns membros do governo, incluindo o presidente, já sinalizaram preferência por um dólar mais fraco para estimular exportações, e analistas como Chris Turner dizem que “A maioria das pessoas acredita que o dólar deveria, poderá e irá se enfraquecer ainda mais este ano“, indicando expectativas de nova desvalorização.
Em resumo, a queda atual mistura fatores políticos, ajustes em mercados globais e expectativas sobre juros, e pode se aprofundar ou se reverter conforme evoluam decisões do governo e do Fed, e reações de investidores internacionais.