Quem é Nelson Tanure, alvo da operação da PF sobre o Banco Master, histórico de aquisições em crise, participação em setores-chave e bloqueio de R$ 5,7 bilhões

Investigação da Polícia Federal no Banco Master envolve buscas, bloqueios e empresários ligados a reestruturações de empresas em crise, com desdobramentos no mercado

Nelson Tanure é apontado entre os alvos da segunda fase da operação que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Agentes cumpriram mandados em endereços de sócios e familiares do dono do banco, e a apuração alcançou outros investidores, segundo a cobertura mais recente.

O caso ganhou destaque também pelo bloqueio de bens estimados em R$ 5,7 bilhões, e pela apreensão de armamento em um dos locais vistoriados, conforme informação divulgada pelo g1.

Trajetória e perfil empresarial

Natural de Salvador, nascido em 1951, Nelson Tanure formou-se em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia, e iniciou a carreira em negócios imobiliários da família.

Desde a década de 1980, Tanure passou a se destacar por investir em companhias em dificuldades, comprando participações, promovendo reestruturações e buscando recuperar ativos depreciados.

Ao longo de mais de quatro décadas, sua atuação consolidou-se em setores como energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia.

Principais negócios e aquisições

Entre as operações iniciais de destaque esteve a participação na Sequip, empresa de engenharia voltada ao setor de petróleo, e o controle de estaleiros em dificuldades, como a Emaq no Rio de Janeiro, que foi reestruturada e vendida.

Nos anos 2000, Tanure assumiu o controle ou a gestão de veículos tradicionais da imprensa brasileira, incluindo o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil, iniciativas que aumentaram sua visibilidade, embora tenham enfrentado desafios.

No setor de petróleo, era responsável pela HRT, que deu origem à PetroRio, hoje PRIO, e, nas telecomunicações, participou da formação da Ligga Telecom, a partir de ativos como Copel Telecom e Sercomtel.

Atuação em saúde e energia, e presença em disputas societárias

Na área de saúde, Tanure assumiu o controle da Alliança Saúde, com expansão por aquisições regionais, e também figura como acionista relevante da Light, distribuidora de energia do estado do Rio de Janeiro.

Seu estilo de investimento, baseado no uso intensivo de crédito e em reestruturações profundas, costuma gerar resultados relevantes, e ao mesmo tempo controvérsias, incluindo disputas societárias e processos de recuperação judicial.

A operação da PF, alvos e desdobramentos

Na segunda fase da operação sobre o Banco Master, além de buscas em endereços vinculados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, agentes visitaram locais ligados a familiares, como pai, irmã e cunhado.

O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos, também foram mencionados entre os alvos da investigação, segundo a cobertura do g1.

Em um dos endereços vistoriados, as autoridades apreenderam um fuzil e granadas, e as investigações resultaram no bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões, medidas que refletem a amplitude da apuração.

Especialistas em governança e mercado acompanham os desdobramentos, que podem afetar sociedades, financiamentos e operações das empresas onde Tanure tem participação.

O caso segue em andamento, com novas diligências e possíveis medidas judiciais a serem anunciadas, e a investigação ainda pode trazer mais informações sobre como teriam ocorrido as supostas irregularidades.