Quem financiou posts sobre Banco Master e influenciadores, PF investiga, e Fábio Steibel alerta que financiadores terão que explicar intenção
Fábio Steibel afirma que liberdade de expressão não isenta financiadores de campanhas contra o Banco Master, e que é preciso apurar intenção e dolo enquanto a PF investiga
O diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade, Fábio Steibel, afirmou que há uma linha tênue entre liberdade de expressão e crime quando influenciadores são contratados para séries de publicações.
Ele afirmou que as publicações em si provavelmente não configuram crime, e que é mais provável que os próprios influenciadores não sejam responsabilizados, mas que contratantes podem ser questionados sobre a intenção.
Nesta semana, o vereador Rony Gabriel e outros influenciadores relataram ter recebido propostas para difundir narrativas contra o Banco Central sobre a liquidação do Banco Master, e a Polícia Federal abriu inquérito, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse o especialista
Steibel ressaltou o limite entre expressão e ilícito e, em entrevista à GloboNews, disse, “Com certeza, quem financiou isso vai ter que explicar se a sua intenção se o dolo era de prejudicar ou não”.
O especialista também chamou atenção para a estranheza de perfis que não lidam com economia começarem, do nada, a falar intensamente sobre o tema, e afirmou, “É diferente você não sobre o tema e, do nada, começar a falar algo que vai difamar uma instituição ou difamar pessoas, principalmente aqui lidando com o sistema financeiro”.
A investigação e a atuação dos influenciadores
Segundo relatos divulgados, o vereador Rony Gabriel (PL-Erechim, de MG) e outros influenciadores afirmaram ter recebido propostas para difundir a narrativa de que o Banco Central foi precipitado ao decretar a liquidação do Banco Master.
De acordo com a apuração, a ideia era compartilhar vídeos que reverberassem a posição da Corte e colocassem em xeque a ação do Banco Central, e, diante das denúncias, a Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar as supostas abordagens.
Resposta do Banco Master
Procurada, a defesa do Banco Master disse não ter informações sobre a suposta contratação de influencers para difamar o Banco Central, conforme informou a publicação que trouxe as primeiras revelações.
Possíveis implicações legais
Especialistas consultados, como Steibel, dizem que a liberdade de expressão deve ser ampla quando o assunto é público, mas que a responsabilização pode recair sobre quem financiou a campanha caso fique comprovado o dolo.
Na prática, as apurações da PF devem buscar evidências sobre quem ofereceu ou pagou pelas publicações, qual era o objetivo declarado ou oculto, e se houve tentativa de prejudicar a reputação de instituições ou de influenciar a percepção pública de forma indevida.
O desfecho dependerá das provas reunidas no inquérito, e, enquanto isso, o debate entre liberdade de expressão e responsabilidade por financiamentos segue em evidência.