Quem financiou posts sobre o Banco Master terá de explicar, diz especialista, influenciadores podem não ser responsabilizados, PF abre inquérito
Especialista avalia linha tênue entre liberdade de expressão e crime na contratação de influenciadores para publicar a favor do Banco Master, e quem pagou pode ter que responder
Uma série de propostas para que influenciadores divulgassem conteúdo em defesa do Banco Master e contra o Banco Central reacendeu o debate sobre responsabilidade, intenção e liberdade de expressão nas redes sociais.
Vereador Rony Gabriel e outros criadores de conteúdo afirmaram ter recebido ofertas para questionar a liquidação do Master, e a repercussão levou a Polícia Federal a abrir um inquérito para apurar as denúncias.
As informações sobre as propostas e a investigação foram divulgadas pelo blog da Andréia Sadi, no g1, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse o especialista
Fábio Steibel, diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade, afirmou que existe uma linha tênue entre liberdade de expressão e crime na contratação de influenciadores para uma série de publicações contra a liquidação do Banco Master.
Segundo Steibel, as publicações por si só não configuram crime, e é provável que os influenciadores não sejam responsabilizados, porém, quem contratou a sequência de postagens pode ter que explicar a intenção.
Em entrevista à GloboNews, Steibel declarou, “Com certeza, quem financiou isso vai ter que explicar se a sua intenção se o dolo era de prejudicar ou não”, frase citada textualmente pela reportagem da GloboNews.
Investigação e postura das partes
A Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar as denúncias de influenciadores que alegam ter sido procurados para gravar conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central, que decretou a liquidação da instituição no fim do ano passado.
O caso envolve o banco do empresário Daniel Vorcaro, e a defesa do Banco Master afirmou não ter informações sobre a suposta contratação de influenciadores para difamar o Banco Central, conforme levantamento publicado no g1.
Riscos para contratantes e repercussão pública
Para Steibel, a liberdade de expressão deve ser mais ampla quando o tema é de interesse público, como a situação de um banco, mas chama atenção quando perfis que não tratavam de economia começam a abordar o assunto de repente.
Ele ressaltou, “É diferente você não sobre o tema e, do nada, começar a falar algo que vai difamar uma instituição ou difamar pessoas, principalmente aqui lidando com o sistema financeiro”, observação que destaca o potencial dano à reputação e ao mercado.
Consequências possíveis
Além do inquérito, a investigação pode levar a responsabilidades civis ou criminais se for comprovado o dolo de prejudicar o Banco Central ou disseminar informação falsa de forma coordenada.
Enquanto isso, a atenção está voltada para quem ofereceu pagamentos pelos conteúdos, e para a transparência sobre financiamentos de campanhas digitais que influenciam a percepção pública sobre instituições financeiras.