quinta-feira, junho 4, 2026

Quem financiou publicações sobre o Banco Master vai ter que se explicar, diz Fábio Steibel, sobre influenciadores e limite entre liberdade e crime

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Especialista avalia que a contratação de influenciadores para defender o Banco Master e questionar a ação do Banco Central pode ter responsáveis além das redes sociais, diz Fábio Steibel

A circulação de vídeos e posts que colocam em xeque a liquidação do Banco Master chamou atenção por envolver perfis que não costumam tratar de economia, e por supostas propostas para influenciadores difundirem uma narrativa favorável à instituição.

O diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade, Fábio Steibel, avaliou que há uma linha tênue entre a liberdade de expressão e a prática de um crime quando há contratação para uma série de publicações coordenadas.

As informações sobre as propostas a influenciadores e a investigação em curso foram divulgadas pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.

O que disse Fábio Steibel

Steibel destacou que, em regra, as publicações em si não configuram crime e, por isso, é improvável que os influenciadores sejam responsabilizados criminalmente. Ainda assim, ele alertou que a situação muda quando há indícios de coordenação e financiamento.

Segundo o especialista, “Com certeza, quem financiou isso vai ter que explicar se a sua intenção se o dolo era de prejudicar ou não“, frase proferida em entrevista à GloboNews, que aponta para a possibilidade de apuração sobre a intenção por trás das contratações.

A investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar denúncias de influenciadores que afirmam ter sido procurados para gravar conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central, que decretou a liquidação da instituição no fim do ano passado.

O inquérito busca identificar quem ofereceu os pagamentos ou acordos e se houve, de fato, uma tentativa de influenciar a opinião pública para prejudicar ou questionar a atuação do regulador.

Revelações de influenciadores e resposta do banco

O vereador Rony Gabriel, do PL-Erechim, de Minas Gerais, e outros criadores disseram ter recebido propostas para difundir a narrativa de que o Banco Central foi precipitado ao decretar a liquidação do Banco Master.

O episódio foi noticiado em blog e no g1, e a defesa do Banco Master afirmou não ter informações sobre a suposta contratação de influencers para difamar o Banco Central, conforme comunicado enviado à imprensa.

Limite entre liberdade de expressão e responsabilidade

Para Steibel, a liberdade de expressão deve ser ampla quando se trata de debate público, porém chama atenção quando perfis que não tratam de economia começam, de repente, a promover conteúdo que pode difamar instituições ou pessoas.

O caso ressalta a necessidade de transparência sobre patrocínios e conteúdo pago, e indica que, mesmo sem responsabilização dos criadores, quem financiou campanhas coordenadas poderá enfrentar explicações formais em inquéritos e eventuais processos.

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